quarta-feira, 13 de setembro de 2017

EXCLUSIVA- Entrevista com MARIA JACINTA DE RESENDE BORGES - Autora do romance "OS AMANTES DAS GERAIS"


Bem vindos de novo ao nosso Blog caros leitores!
Hoje estou trazendo para vocês em primeiríssima mão,uma entrevista exclusiva com a nossa mais nova parceira, Maria Jacinta De Resende Borges, autora da obra OS AMANTES DAS GERAIS, aquele romance brasileiro maravilhoso que tivemos a honra de apresentar á vocês na semana passada. Nesta entrevista ela vai nos contar como foi seu ingresso no universo literário, quais são seus próximos projetos e também vai nos deixar valiosos conselhos para quem está começando a carreira de escritor. 
Acompanhe com a gente!


ACESSE O LINK ABAIXO PARA RELEMBRAR A MATÉRIA QUE FIZEMOS SOBRE A AUTORA E SUA OBRA "OS AMANTES DAS GERAIS":

http://www.phalavraria.com/2017/09/os-amantes-das-gerais-de-maria-jacinta.html


EU - Olá Maria Jacinta. É uma honra poder entrevista-la. Quero começar perguntando; em que momento você decidiu se tornar escritora?

JACINTA - Faz muito tempo que eu escrevi, mas só agora decidi que iria publicar meu livro. Comecei a pesquisar na internet e vi que era possível realizar meu sonho, então fui abrindo as portas de um mundo novo para mim.


EU - E de onde surgiu pra você a inspiração desta história?

JACINTA - Essa história é fruto dos casos e "causos" que eu ouvi em minha infância.Minha mente ficou oxigenada com tantas fantasias, que decidi colocar no papel todas aquelas maravilhas.


EU - Você segue algum ritual ou uma rotina em particular para escrever?

JACINTA - Como eu tinha outra profissão e escrevia só nas horas vagas, aproveitava todo tempo livre para compor e escrever a história. Às vezes, surgia alguma idéia interessante quando estava trabalhando, então eu fazia um pequeno rascunho e colocava na bolsa. Quando chegava em casa, eu o acrescentava ao livro.


EU - E a sua escrita tem a influencia de algum autor brasileiro em especial?

JACINTA - Antes de iniciar eu li bastante, autores nacionais e internacionais, mas seria muita presunção afirmar que minha escrita foi influenciada por esse ou aquele autor especificamente. Todos foram fundamentais para o resultado final.


EU - Seu livro é realmente muito original. 
Sobre esse novo mercado editorial, você acha que a dinâmica dos novos formatos de publicação como o e-book e a auto publicação veio a colaborar para a produção literária no Brasil?

JACINTA - Acredito que todas essas novas modalidades vieram para acrescentar e facilitar o acesso do escritor ao mercado editorial. Eu por exemplo, consergui publicar meu livro em edição independente, após pesquisar bastante na internet e vislumbrar que essa possibilidade era real e acessível a uma escritora iniciante.


EU - Quais são seus planos futuros, você pretende continuar escrevendo? Já tem algum novo projeto em vista?

JACINTA - No momento eu estou dedicando-me exclusivamente à divulgação do meu livro Os Amantes das Gerais, mas já tenho um novo projeto sim. Será um livro só de casos e "causos" das Gerais, já estou coletando material. Aproveito a oportunidade para fazer o convite: Quem souber de um caso bem interessante e quiser participar, pode enviar sua história pelo e-mail abaixo, que ele poderá ser narrado no meu próximo livro, e o e-mail é: 

mjacintarb@globo.com

EU - Nossa, que legal!Vou destacar este convite no Blog. 
Jacinta, na sua opinião, quais ingredientes não podem faltar em uma boa história?

JACINTA - Quando pego um livro para ler, gosto de saber quando e onde se passa aquela história.Procuro esses itens na sinopse e acho que eles são imprescindíveis. Personagens bem construídos também são importantes. Enfim, a história tem que ter uma boa dose de emoção, ser atrativa , interessante e conquistar a atenção do leitor.


EU - Concordo. 
Que conselho você daria para os autores iniciantes que estão começando a trilhar o caminho desta profissão?

JACINTA - Nunca desistam de seus sonhos, cuidem de todos os detalhes com muita atenção, leiam várias vezes os originais, procurem um bom revisor, e encarem todos os desafios com muito profissionalismo.


EU - São ótimos conselhos realmente. 
E agora para terminar, fale-nos um pouco sobre a obra "Os Amantes Das Gerais". O que o leitor pode esperar deste livro? Como você se sente tendo realizado o sonho de publicá-lo, e onde podemos adquiri-lo?

JACINTA - Bem, eu ousei comparar Théo e Matilde, Os Amantes das Gerais, com Romeu e Julieta, Os Amantes de Verona.Meu sonho é conseguir transmitir essa história ao maior número de pessoas possível. Como é uma edição independente, para adquiri-lo basta acessar o site e fazer o pedido

ADQUIRA SEU EXEMPLAR NO LINK  ABAIXO:



 Para maiores informações:


FANPAGE FACEBOOK:


Estarei sempre à disposição do leitor. Muito obrigada.


EU - Eu é que agradeço sua disponibilidade em nos responder a esta entrevista. Foi muito bom poder apresentá-la aos nossos leitores. Adorei suas respostas e vamos estar sempre acompanhando sua obra e a sua carreira.

domingo, 3 de setembro de 2017

OS AMANTES DAS GERAIS de MARIA JACINTA DE RESENDE BORGES




video

SOBRE A AUTORA:




Escritora mineira lança o livro OS AMANTES DAS GERAIS

Maria Jacinta de Resende Borges nasceu em  Perdizes, MG e passou sua infância e juventude em Uberaba,MG, onde iniciou sua profissão de professora, no Grupo Escolar Jacques Gonçalves.
Atualmente mora em Sertãozinho, SP. É diretora de escola aposentada.
Lançou no dia 09/03/2017 seu primeiro livro, o romance OS AMANTES DAS GERAIS.
A história se passa em Perdizes e abrange o Triângulo Mineiro  e o Alto Paranaíba. É matizada com casos pitorescos da região e leves pinceladas históricas das Alterosas.
O livro foi publicado em edição independente e não se encontra a venda em livrarias.
Para adquiri-lo basta acessar o site: 

ACESSE A ENTREVISTA EXCLUSIVA DA AUTORA PARA O BLOG NO LINK ABAIXO

http://www.phalavraria.com/2017/09/exclusiva-entrevista-com-maria-jacinta.html

www.osamantesdasgerais.com.br

Maiores informações: 

mjacintarb@globo.com

(16) 993832929



CONSIDERAÇÕES PESSOAIS SOBRE O LIVRO:

Os amantes Das gerais
 
Uma história digna dos melhores romances já conhecidos na literatura brasileira, mas com o punho original desta autora que me trouxe a sensação de alma lavada. Eu que me preocupava com a forte inclinação da nova literatura ao engrandecimento de culturas estrangeiras em livros sempre ambientados em outros países, pude respirar aliviada ao encontrar nesta obra enfim a nossa história, a nossa cultura, o nosso tempero, que além do desenho imaginativo ser (no meu conceito) algo muito mais atraente, também vem a contribuir para a difusão da história e da diversidade cultural do Brasil. Amigos, sinceramente, para quem também sente esta carência de uma nova literatura genuinamente brasileira, como fizeram os nossos grandes mestres no passado, aconselho veementemente que leiam esta obra, OS AMANTES DAS GERAIS é um livro que tem tudo para figurar futuramente entre nossos clássicos mais adorados.
O romance de Théo e Matilde vem a nos contar como era formada a moral da sociedade mineira no início do século XX e como, no seio das famílias, essa concepção deturpada dos valores, podia influenciar vidas e produzir dores e barreiras para a felicidade dos seus. Uma história contada ao sabor de uma mineira talentosíssima, com a propriedade de quem tem a capacidade intelectual, a sensibilidade e a genialidade de uma grande romancista.



ADQUIRA A OBRA NO LINK ABAIXO:



terça-feira, 29 de agosto de 2017

DEPOIS DA TEMPESTADE E A TRILOGIA "DEPOIS" DE CARLA DE SÁ




Olá meus caros. Estive um pouco afastada das atividades do Blog por motivo de força maior, mas estamos voltando com toda pilha para trazer a vocês "o que há" no universo literário da atualidade.
Hoje trago novamente uma das nossas primeiras parceiras do PHALAVRARIA com seus novos trabalhos recém lançados no mercado editorial. Ela é CARLA DE SÁ uma das romancistas mais produtivas e brilhantes de que temos notícia nos últimos tempos e que agora nos presenteia com uma trilogia de tirar o fôlego. Acompanhe á baixo as resenhas de cada título, um resumo sobre a autora, e encontre também os acessos para adquirir suas obras.


A AUTORA

Durante a restauração de uma mansão vitoriana nas costas da Cornualha, Inglaterra, Victoria Eaton descobre acidentalmente uma caixa de madeira no piso do sótão. Abri-la foi como abrir uma cápsula do tempo: Entre os tesouros ali colocados, um diário datado de 1840 a cativou totalmente.
 As palavras de James Michael Andrew, Nono Duque de Winkleigh, trarão à tona um dos mais incríveis períodos vividos pela Inglaterra: A Era Vitoriana.
Sua vida, suas paixões, alegrias e sofrimentos serão desvendados aos poucos pela restauradora, até descobrir que ambos compartilham dos mesmos segredos dolorosos.
 Até onde um diário do Século XIX pode modificar o destino de uma pessoa?


Considerações pessoais:

O que sempre me impressiona nos livros da Carla é a propriedade com que ela discorre seus temas demonstrando sempre um profundo conhecimento acerca dos elementos trabalhados nas suas histórias e a maneira como ela consegue nos manter atentos e empolgados com a leitura, neste livro não é diferente.A qualidade da sua narrativa e a intensidade com que ela nos passa as emoções vividas pelas personagens nos fazem viajar realmente pelo universo que ela elabora de maneira maestral. Super recomendo esta leitura, assim como a de todos os títulos de sua autoria. 



Depois do Arco-Íris

Em ‘Depois da Tempestade’, Victoria Eaton se desespera ao perder as últimas páginas do diário de James Michael Andrew, o Nono Duque de Winkleigh e fica sem saber o que aconteceu após os trágicos acontecimentos que o atingiram.
    O que Victoria sequer imaginaria, seria o fato do novo residente do antigo farol encontrar um segundo diário que por si só desvendaria de vez o futuro do infeliz Duque.
    Terá James superado a dor que o martirizava, mostrando que sempre vale à pena recomeçar?
    Palavras escritas há 176 anos serão o suficiente para modificar o destino de não só uma pessoa, mas de duas?
    Depois do Arco-Íris é o desfecho da caminhada de James e Victoria em dois séculos completamente diferentes; um convite à reflexão sobre o que nos é importante da vida; suas dores, alegrias, como nos afetam e quando devemos reagir a elas.




(capa provisória)​
Depois da Escuridão

Keiran O’Malley, valete do Duque de Winkleigh sofreu pelas vítimas da Grande Fome que assolou a Irlanda no Século XIX, aflito pelo destino incerto dos seus.
            Esse livro conta a trajetória da família O’Malley, suas tristezas e desventuras tentando sobreviver com dignidade a uma terra devastada, a miséria, a fome e ao desespero, até ser resgatada pelas mãos caridosas do Duque e principalmente sobre a coragem de um povo que não perdeu a alegria em meio a escuridão.


ESPERO QUE VOCÊS TENHAM GOSTADO DESSA DICA E QUE PRESTIGIEM A NOSSA AUTORA QUANDO FOREM ESCOLHER UM BOM LIVRO PARA LER.





terça-feira, 15 de agosto de 2017

A OUTRA CARA DAS FESTAS - por GILBERTO SCARPA


LINK PARA A ADQUIRIR O LIVRO NA AMAZON:




ALGUMAS COISAS QUE PRECISAM SER DITAS SOBRE O AUTOR.

Cedendo a um desejo pessoal e incomensurável de partilhar com você, meu leitor, uma tremenda admiração que me foi despertada pela história de vida desta ilustre figura, de que trato sobre a sua obra nesta matéria, resolvi explanar os motivos para tal admiração, contando-lhes (do pouco que sei) sobre a história pessoal de DON SCARPA, para que você possa compreender a dimensão do que ele realizou, pois esta dimensão, a meu ver,  vai muito além dele simplesmente ter promovido festas grandiosas e escrito sobre elas, o que já seria um belíssimo legado para qualquer cidadão, mas que se torna um feito ainda mais admirável se observarmos com um olhar mais atento a sua trajetória de vida e nos ariscarmos a interpretar sua verdadeira motivação ao longo desse caminho.
Não direi nada aqui que vocês não possam vir a conhecer com integridade folhando as páginas do livro “A OUTRA CARA DAS FESTAS”, neste texto espero transmitir apenas o meu ponto de vista pessoal acerca do autor. Então vamos as minhas considerações:

O que torna DON SCARPA alguém tão admirável para mim, começa pelo fato dele ter conquistado a fortuna, (com a qual pagou por toda a pompa e circunstancia das suas festas) pelo seu próprio mérito, com o seu trabalho aliado a uma extrema inteligência ele conquistou tudo o que quis e provou a sua nobreza, que, além de estar em seu DNA, também coexiste em seu espírito. Temos nele o grande exemplo de um vencedor, não por predestinação, uma vez que este pré-destino lhe foi negado (pelo que eu acredito ter sido uma grande injustiça), mas por determinação pessoal de alguém que decidiu provar o seu valor e sobrepujar aqueles que um dia passaram por cima do seu direito natural, que seria ter recebido tudo de mãos beijadas pela sua ascendência.
Outra questão que vale a pena ressaltar a respeito de DON SCARPA, é que, mesmo ele tendo conhecido o verdadeiro valor do dinheiro, no que se refere ao trabalho que se tem para ganha-lo, ele não o colocou acima do valor da vida e o utilizou para gozá-la intensamente ao realizar os seus sonhos mais surreais, ele viveu como poucos vivem a mágica alegria de viver e isso, independente de qualquer outra característica pessoal do nosso autor em questão  já o coloca em vantagem diante de tantos que se tornam escravos dos bens materiais e vivem somente para juntá-lo, jamais para vivê-lo.
Não vou me prolongar muito, posto que o meu conhecimento sobre vida do autor é genérico e nada mais poderia dizer sem grande margem de erro, no entanto, tais considerações feitas aqui, baseiam nos aspectos mais importante a que pude verificar sobre este grande homem chamado “GILBERTO SCARPA”.



"É preferível ser dono de uma moeda, do que escravo de duas." (Antigo provérbio grego, utilizado pelo autor como filosofia) 

SOBRE O AUTOR

De ascendência italiana, neto de Francisco Scarpa I, natural de Gói, avô paterno e José Balsamo, natural de Palermo, avô materno, Gilberto Balsamo Scarpa, nasceu na cidade de Sorocaba – SP No dia 7 de novembro de 1938. Filho primogênito de Carmino Scarpa e Carmina Balsamo Scarpa.
Em 1955, aos dezessete anos, Gilberto Scarpa mudou-se para São Paulo para iniciar a sua vida profissional na empresa dos primos Chico e Nicolau Scarpa.
Em 1959, aos 21 anos, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde ocupou o cargo de Chefe de vendas na Caracu – Rio.
Competente, visionário, aos 23 anos assumiu a diretoria geral da Filial – Rio.
Em 1963, casou-se com Nilza Maria Pary e, desta união, nasceram Roberta, Katia e Lisa, que lhe deu dois netos: Gabriela e Enrique.
Em 1966, entrou em negociações com Manuel Vinhas, proprietário da Skol e, em 1967, concluídas as negociações, a Caracu foi vendida para a Skol pela cifra de 50 Milhões de dólares.
Gilberto Scarpa mantinha importantes contatos como Roberto MarinhoGlobo, Hubert Greeg, Brahma, contatos esses de grande relevância na sua trajetória profissional. Ainda em 1967, desligou-se da Caracu e foi para a Brahma onde teve Revendas em CampinasSanta Barbara, Rio e uma ''franchise'' na cidade de Paulínia . Assim ficou sendo o número 1 da Brahma.
Na década de 80, casou-se pela segunda vez com Henriqueta Maria de Magalhaes e tiveram dois filhos: Gilberto Scarpa Filho e Carmina Scarpa.
Em 1985 um amor a primeira vista: Punta del Este. Inicialmente hospedou-se no Hotel San Rafael, suite Presidencial, que meses antes lá esteve o Rei Juan Carlos da Espanha e, no ano seguinte alugou a famosa casa no Bairro do Golf, La Dalmacia.
Em 1988, vendeu os direitos de franchise e revendas Brahma.
Trouxe para o Brasil as famosas garrafas PET de dois litros para a Coca Cola.
Também em 1988, comprou e ampliou o que seria a famosa casa Pinduca onde, durante anos seguidos, Gilberto e a família desfrutariam Punta del Este, durante os três meses de verão e nas férias de Julho.
Em 1993, após uma comemoração nos jardins da Pinduca, Gilberto e os seus ilustres convidados, entre eles, o rei Pelé, seguiram para o cassino Nogaró juntamente com a bateria de uma escola de samba, mulatas, confete, serpentinas, e eis que o inimaginável aconteceu: O jogo foi interrompido e os frequentadores e empregados do cassino se renderam ao samba até o dia clarear. Ciro Batelli, famoso homem de Las Vegas, presente no cassino, comentou: " Estou incrédulo, fato jamais visto no mundo todo ".
Em 1994 foi realizada a primeira grande festa: Las mil y una noche, nunca dantes Punta del Este houvera conhecido tamanha repercussão em todas as mídias.
Em 1995 encantou a todos os convidados com a festa Uma noite tropical.
Em 1996, eis que todas as expectativas foram superadas com a festa mundialmente conhecida como Noche de los sueños, em 20 de janeiro e que contou com uma orquestra de 120 músicos, sob a batuta do grande Maestro e amigo pessoal de Gilberto, Mariano Mores.
Também contou com a presença das atrizes Catherine DeneuveGina Lollobrigida, celebridades de várias partes do mundo.
Amanheceu o dia 21 de janeiro e Gilberto Scarpa ainda dançava junto aos convidados.
Aquela memorável noite, ficou registrada no livro escrito por Gilberto, A outra cara das festas, publicado em português e espanhol e que vendeu 125.000 exemplares.
Fonte: Wikipédia.



A VIDA E A OBRA DE DON SCARPA SERÁ TEMA DE UMA SÉRIE EM 30 CAPÍTULOS GRAVADA EM MIAMI:

Don Scarpa - A Série 

Don Scarpa a série em 30 capítulos conta a trajetória de vida do grande empresário e visionário Gilberto Balsamo Scarpa, seus negócios, sua família, seus amores e o melhor suas majestosas festas com seus bastidores .
Dentre gêneros Don Scarpa é uma série de aventura, com um tom cômico e biográfico!
Em breve





SOBRE A OBRA "A OUTRA CARA DAS FESTAS".


LINK PARA ADQUIRIR O OBRA:



RECORTES DE ALGUNS JORNAIS QUE COBRIRAM O EVENTO NA ÉPOCA.

O evento reuniu mais de 30 celebridades internacionais, entre elas Catherine Beauvoir











 SOBRE A DESCENDÊNCIA DO AUTOR:

“Gilberto Scarpa” é primo de 2° Grau (por parte de pai) do Conde “Chiquinho Scarpa”,
Porém, a família Scarpa teve seu momento de divisão entre a parte italiana, e a parte Brasileira dela, com o advento da morte de seu avô Francisco Scarpa em 1918:



Em resumo: FRANCISCO SCARPA teve seu primeiro filho “NICOLA” na Itália, com uma mulher conhecida apenas como "ROSA, FILHA DE GIUZZEPPE". Ele então veio para o Brasil, trazendo apenas o filho, e aqui conheceu “MARIA ANGÉLICA” com quem teve quatro filhos, entre eles “CARMINO” pai de "GILBERTO SCARPA".
Quando “FRANCISCO SCARPA” faleceu, deixou NICOLA (primeiro filho que teve na Itália, já adulto)  sua viúva, dona “MARIA ANGÉLICA”, e seus quatro filhos pequenos que teve com ela, entre eles “CARMINO”, pai de “GILBERTO”. Observando a certidão de óbito acima, é fácil constatar isso na inscrição que diz: Deixando filhos e bens á inventar. Entre esses bens a serem inventados, FRANCISCO SCARPA havia deixado um seguro de vida no valor de 10 mil contos de reis, para a viúva "dona Maria Angélica".
É ai que começa a divisão da família de que falei. Por ser já adulto,“NICOLA” assumiu toda a herança de “FRANCISCO” e foi embora para São Paulo, onde aumentou a fortuna do pai e construiu sua família, porém a viúva, dona “MARIA ANGÉLICA”, não recebeu a parte da herança que lhe era devida e ficou sozinha para criar quatro filhos pequenos. 
Dos quatro filhos de dona “MARIA ANGÉLICA”, CARMINO” (irmão de NICOLA por parte de pai) teve “GILBERTO SCARPA” o nosso “DON SCARPA”, que apesar de ter crescido em uma família de poucos recursos financeiros, (graças a trapaça do meio irmão de seu pai) conquistou a própria fortuna com muito trabalho e talento, seu sucesso então foi coroado na grande festa que marcou a história do Uruguai e ficou conhecida como “NOCHE DE LOS SUENÕS".


TERMINO ESTA MATÉRIA DEIXANDO PARA VOCÊS ALGUNS VÍDEOS DA FESTA MAIS FAMOSA DOS ANOS 90, QUE É OBJETO DA OBRA APRESENTADA  NESTE POST, E QUE FICOU CONHECIDA COMO. Noche de Los Sueños
VOCÊ PODERÁ ENCONTRAR TODOS OS 6 VÍDEOS DA FESTA NO YOUTUBE.
















sexta-feira, 28 de julho de 2017

ROTEIRO DE CURTA METRAGEM: DONA ROSA E SEUS DOIS AMÁSIOS



     DONA ROSA E OS SEUS            DOIS AMÁSIOS

                 
DE: Adriana Campos Marinho







FICHA RESUMO:
PERSONAGENS:
1-Rosa (Protagonista)
2-Rodolfo
3-Rafael
4-Eleonora (Lél)
5-Angelina (Antagonista)
6-Luis Cardoso Couto (Coutinho)
7-Mariza (fofoqueira)
8-Afonso (Presidente de associação de moradores de Bairro)
9-Os dois filhos de Rosa (uma menina e um menino 8 e 10 anos)
10-Pai Caetano (Pai de Santo)


RESUMO DA HISTÓRIA

“DONA ROSA E OS SEUS DOIS AMÁSIOS” conta a história de uma mulher moderna, vereadora de uma pequena cidade no interior do Paraná, que para resolver seus problemas amorosos, resolve criar um projeto de lei que legaliza a bigamia. Rosa acredita que seu projeto também ajudará a resolver os problemas das famílias de sua cidade, diminuindo o número de divórcios causados por traição que vêm aumentando em Ventania do Norte na ultima década.
Mas para votar e aprovar a nova lei, Rosa terá que colocar sua ideia no crivo do povo da cidade, que é de maioria conservadora. Além disso, também terá que convencer um dos seus pretendentes a marido, a aceitar o casamento triplo, dificuldade essa que será agravada pela língua venenosa da sua empregada Angelina, que deseja tomar o seu lugar e saindo candidata a vereadora nas próximas eleições.







CENA 1.   
Cidade de Ventania do Norte/ int. /quarto de Rosa / luz da manhã através da janela aberta/ Música da trilha sonora/ (Sugestão: Raul Seixas e Wanderléa cantam "Quero Mais")


1.1-            SACADA DO QUARTO DE ROSA (zoom in) câmera se aproximando.
1.2-            PLANO GERAL- quarto de ROSA.
1.3-            ELEONORA (zoom in)
1.4-            ROSA (zoom in)
1.5-            PLANO GERAL (câmera parada)
1.6-            ELEONORA
1.7-            ROSA
1.8-            PLANO GERAL (câmera parada)
1.9-            ELEONORA
1.10-        ROSA
1.11-        PLANO GERAL (câmera parada)
1.12-        ROSA
1.13-        PLANO GERAL (câmera parada)
1.14-        ROSA (zoom in)
1.15-        ELEONORA (zoom in)
1.16-        ROSA (zoom in)
1.17-        ELEONORA (zoom in)
1.18-        PLANO GERAL (câmera parada)
1.19-        ROSA (zoom in)
1.20-        PLANO GERAL (câmera parada)
1.21-        ROSA (zoom in)
1.22-        PLANO GERAL (câmera parada)
1.23-        ROSA (zoom in) começa a narrar flashback 1
1.24-        ROSA (zoom in) voltando à cena principal

1.25-        ELEONORA (zoom in)
1.          ROSA (zoom in)
1.27-        PLANA GERAL (câmera parada)
1.28-        ANGELINA
1.29-        1.29-ROSA (zoom in)
1.30-ANGELINA (zoom in)
1.31-PLANA GERAL (câmera parada)
1.32-ELEONORA (zoom in)
1.33-ROSA (zoom in)
1.34-PLANO GERAL (câmera parada)
1.35-ROSA e ELEONORA
1.36-ROSA (zoom in)
1.37-PLANO GERAL (câmera parada)
1.38-ELEONORA e ROSA
1.39-ELEONORA (zoom in)
1.40-ROSA (zoom in)





Plano geral — O quarto é amplo, tem uma cama de casal, um criado mudo com um abajur, um cabideiro mancebo, uma mesa, perto da janela, com duas cadeiras, uma poltrona e uma porta para o closet.

ROSA recebe sua secretária Eleonora (Que ela chama de Lél), Rosa ainda está na cama de camisola, quando ELEONORA bate na porta. (Eleonora é uma jovem de mais ou menos uns vinte anos)
    
     ELEONORA: 
  — Rosa. Ta acordada?

   ROSA:  
   — To sim. Entra Lél. 

Rosa senta-se na cama, Eleonora abre a porta, com um caderno de atas e caneta em uma das mãos. (A porta fica entreaberta)

ELEONORA:
— E ai? Porque me chamou tão cedo? Aconteceu alguma coisa, Você não é de madrugar assim no fim de semana?

ROSA:
— Pra dizer a verdade eu nem dormi essa noite menina, to cheia de caraminholas aqui na minha cabeça e queria contar pra você a ideia que eu tive para um projeto de lei. Senta ai.
           
-Eleonora senta-se na poltrona, Rosa se levanta, vai até o cabideiro, veste um hobby e elas continuam a conversa.

ELEONORA:
— Ai ai ai..., já vi que lá vem bomba! Você é a vereadora mais louca que essa cidade já teve. Conta ai, to morrendo de curiosidade.

ROSA:
Eu vou criar nesta cidade um novo regime de casamento. Um não. Três. Um, que já existe, e outros dois, que vão se adaptar as necessidades e interesses individuais dos cônjuges.

ELEONORA:
Como assim? A lei que regula o casamento no país é federal, tentar criar outras fora dela é contra a constituição. Isso não vai dar certo!

ROSA:
— Vai dar certo sim. Podemos criar então uma espécie de união civil, que valerá somente aqui na cidade. Tenho certeza que quando o resto do país ver o quanto isso deu certo aqui, o povo exigirá da federação que regulamente esses regimes para todo o território nacional!

ELEONORA:
— Mas que regimes são esses que você quer criar?

ROSA:
— Tome nota aí minha filha: Quero que você redija uma ata para a próxima reunião na associação de moradores. Vou expor e meu projeto para o maior interessado, que é o povo. Vamos ver o que eles pensam sobre minha ideia, depois, entro oficialmente com o projeto para a votação na câmara, quero a opinião pública em meu favor, assim não vai ter erro, concorda comigo?

ELEONORA:
— Concordo, mas...

ROSA:
Então? Eu também concordo comigo!Anote aí: Nesta cidade de Ventania do Norte, haverá três formas ou regimes de união estável, comparável ao casamento tradicional, e serão eles: Primeiro- Regime monogâmico (Que é o que já existe) entre dois cônjuges. Segundo- Regime Bigâmico masculino...

-Eleonora começa a anotar tudo o que Rosa diz.

ELEONORA:
— Que negócio é esse de Bigâmico? O quê que é isso?

ROSA:
— Já vou explicar. O regime Bigâmico masculino consiste em um marido e duas mulheres, (ou três maridos sei lá), que servirá para aqueles homens safados, que não se contentam só com a esposa que tem em casa e tem sempre uma teúda e manteúda por fora. Depois darei os pormenores, agora vamos adiante. — Continue anotando. — Terceiro: (e o que mais me interessa) Regime Bigâmico Feminino, que consiste em uma esposa e dois maridos (ou três esposas, considerando sempre os relacionamentos homo afetivos), para aquelas mulheres que, (assim como eu), não se casaram ainda, ou que se casaram e se separaram porque o marido não deu conta do recado, seja na cama, nas contas de casa ou em tudo. Esta será a solução perfeita para os meus problemas sentimentais, e os de muita gente também.

ELEONORA:
— Maria Rosa Siqueira, você enlouqueceu de vez! (Eleonora ri)

ROSA: (Com expressão triste e preocupada):
— Não é loucura não, é desespero mesmo Lél! Já estou com trinta e oito anos, se eu não me casar agora não me caso nunca mais. Eu sou mãe solteira, com esses dois péstinhas pra criar, um homem sozinho não dá conta não, família grande dá muita despesa, eu não tenho profissão, meu mandato está acabando, daqui a um mês começa a campanha e daqui a dois meses, talvez, eu não seja mais vereadora, se eu não me eleger para o próximo período vou ficar desempregada de novo. Nenhum homem quer se casar com uma mãe solteira e pobre pra ter que sustentar a família sozinho, já em dois, seria mais fácil. Sem contar que eu tenho aquele problema de enjoar rápido dos meus namorados, você sabe como eu sou, quando encontro um cara bacana, disposto a me assumir com as crianças, normalmente ele é chato, sem graça, ruim de cama. Quando encontro um cara animado, gostoso e safado do jeito que eu gosto, normalmente ele não tem onde cair morto. Canso dos homens porque não consigo encontrar todas as qualidades que preciso em um homem só, e não consigo continuar com a pessoa. Eu detesto a rotina, o mesmo papai e mamãe todo dia, as mesmas conversas, a mesma cara..., só agora, depois de muito pensar, descobri que o que eu preciso é de dois maridos, pra não cair na mesmice, e ao mesmo tempo, para as despesas da casa não pesarem no bolso de ninguém. Mas pra que isso dê certo, não pode ser na clandestinidade, e nem teria como funcionar com cada um morando em uma casa diferente, quero que seja oficial e que o povo respeite meu relacionamento como um matrimônio legal, para não destruir a minha imagem política na cidade.

ELEONORA:
— Eu entendi a sua ideia, mas você não tem sequer um namorado há anos, como quer encontrar dois maridos? Achar um só hoje em dia já é difícil.

ROSA:
— Não é bem assim Lélzinha, eu tenho os meus cachos, dois na verdade, e já pensei em tudo!

ELEONORA:
 — A é sua danada, e nem me contou nada. Que história é essa de dois cachos?
ROSA:
 — O seu Rodolfo da padaria...

ELEONORA:
— O seu Rodolfo? Bem que eu notei que ele olha pra você de um jeito diferente, pensei até em bancar o santo Antônio casamenteiro , mas como eu te conheço, achei que ele não fazia o seu tipo.

ROSA:
É ele tem sido muito gentil comigo nos últimos anos, foi graças ao apoio dele que consegui vencer as eleições. Você sabe que ele foi um dos maiores financiadores da minha campanha não sabe?

ELEONORA:
— É eu sei sim. Não vai me dizer que...

ROSA:
— Sim. Eu tenho feito umas visitinhas noturnas pra ele há algum tempo, mas o problema é que ele quer porque quer se casar comigo, já me pediu em casamento varias vezes.

ELEONORA:
— E você? Não aceitou?

ROSA:
 — Ainda não. Menina ele é muito conservador na cama, muito fraquinho também o coitado! Sabe o que acontece quando vou visitá-lo?
                                                                                       FADE OUT.
       
                                                                                        FADE IN.


CENA 1 DO FLASHBACK 1- SE PASSA AO MESMO TEMPO EM QUE ROSA ESTÁ NARRANDO”.
Int./ noite/ luz artificial / Sala de jantar da casa de Rodolfo.


1.1-            PLANO GERAL (Câmera parada)
1.2-            ROSA (zoom in)
1.3-           RODOLFO (zoom in)
1.4-           PLANO GERAL (Câmera parada)
 



EM OFF (V.O)                                                            



ROSA:
— Primeiro jantamos, quase que em silêncio absoluto, porque ele acha falta de educação falar enquanto se come.

-A sala tem uma mesa de jantar com seis cadeiras, uma porta que se deduz levar a sala de estar, a mesa é farta e posta de maneira elegante e organizada.

-Rosa está sentada em uma das pontas da mesa, Rodolfo está sentado na outra ponta, os dois comem, Rosa olha para Rodolfo com uma expressão tediosa, Rodolfo se atém ao jantar em absoluto silêncio.
Rosa continua a narrando

                                                                                                                 CORTE SECO.

CENA 2 DO FLASHBACK 1
Int./ sala de estar da casa de Rodolfo/ noite/ só a luz da TV

2.1   -PLANO GERAL (Câmera parada)
2.2  –RODOLFO e ROSA
2.3  – ROSA (zoom in)
 





(V.O) EM OFF
ROSA:
— Depois assistimos o National Geographic por mais de uma hora, porque é o único programa que ele gosta, ele acha todos os outros uma perda de tempo.

-
- Sala escura, tem um sofá de três lugares, uma poltrona, uma mesa de centro, uma porta para a sala de jantar, uma porta que se deduz levar ao quarto e uma estante antiga com a TV.

A câmera mostra apenas os dois sentados no sofá, olhando para o que se deduz ser a TV pelo som que vem dela e a luz da tela que é rebatida em seus rostos e que é a única iluminação da sala, também aí os dois estão em silêncio e Rosa com uma expressão tediosa.
Rosa continua Narrando
                                                                                                          CORTE SECO.

CENA 3 DO FLASHBACK 1
/ int./ sala de estar da casa de Rodolfo/ noite/ só a luz da TV.


3.1-           PLANO GERAL (câmera parada)
3.2-           MÃOS DE ROSA E RODOLFO (zoom in)
3.3-           PLANO GERAL (câmera parada)


 





Em off (V.O)

ROSA:
— Só então ele me chama pra dormir, ele pega em minha mão e vamos para o quarto.
Obs.: mesmo cenário - Sala escura, tem um sofá de três lugares, uma poltrona, uma mesa de centro, uma porta para a sala de jantar, uma porta que se deduz levar ao quarto, uma porta de saída e uma estante antiga com a TV.

Ainda na sala, Rosa e Rodolfo se levantam do sofá, sempre em silêncio, Rodolfo pega na mão de Rosa, exatamente como ela narrou e eles saem da sala em direção a uma porta que se deduz ser para o quarto. Antes de saírem Rodolfo se vira e desliga a TV com o controle remoto.
                                                                                                                 CORTE SECO.

CENA 4 DO FLASHBACK 1
Int./ quarto de Rodolfo/ Luz artificial.

4.1-ROSA E RODOLFO
4.2-PLANO GERAL (câmera parada)
4.3-ROSA e RODOLFO na cama.
4.4- LENÇÓIS (zoom in)


                           




Rosa continua narrando.
EM OFF (V.O)
ROSA:
No quarto, antes de tirarmos a roupa para deitar ele me dá um abraço, vai para o banheiro, coloca o pijama, volta me dá um selinho, (que ele acha que é beijo), sobe em cima de mim e em cinco minutos está tudo acabado.

-O quarto não é muito grande, tem uma cama de casal, dois criados mudos com abajur, um cabideiro mancebo com uma camisola pendurada, um guarda roupas, uma porta que de deduz ser para o banheiro, uma janela.

- Rodolfo dá um abraço em Rosa e se dirige para a porta, que se deduz ser a do banheiro. Rosa vai até o cabideiro, de costas para a câmera tira o vestido ficando apenas de lingerie e veste a camisola que estava pendurada, vai para a cama e se deita.
- Rodolfo sai do banheiro, vestido com um pijama. Rosa está deitada. Rodolfo se deita ao lado dela e lhe dá outro selinho (Beijo na boca com os lábios serrados), eles puxam o lençol por cima dos dois, para se deduzir que vão transar.
                                                                                                         CORTE SECO.




CENA 5 DO FLASHBACK 1
Obs: Mesmo cenário: Int./ quarto de Rodolfo/ Luz artificial.

5.1- ROSA e RODOLFO, na cama.
5.2-ROSA ( zoom in)
 




EM OFF (V.O)
ROSA:
— Então ele me dá outro selinho, me diz boa noite, se vira, e ronca como um trator.


-O quarto não é muito grande, tem uma cama de casal, dois criados mudos com abajur, um cabideiro mancebo com uma camisola pendurada, um guarda roupas, uma porta que de deduz ser para o banheiro, uma janela.

-Rodolfo deita-se novamente em seu lugar na cama e em instantes começa a roncar. A câmera mostra o rosto de Rosa com a mesma expressão tediosa.

                                                                                                           FADE OUT.

                                                                                                   FADE IN -  

Voltando para a cena principal — Rosa termina a narrativa.
(Obs: SEGUINDO A DECUPAGEM DA SEQUÊNCIA 1.)

             
ROSA:
— Na manhã seguinte, venho embora antes de clarear o dia com a sensação de que nada aconteceu. Eu não ia conseguir passar o resto da minha vida do lado de homem assim tão parado, não se for pra ser só com ele!

ELEONORA:
— Rosa, você não tem jeito mesmo. Ele pode ser como for, mas é um homem bom e respeitável, é perfeito para um marido. Sabia que está cheio de solteirona dando em cima dele na cidade? Se você não se cuidar pode até perder-lo pra outra mulher logo, logo. Se bem que agora eu entendo porque ele não da bola pras as outras, está apaixonado por você, não vai desperdiçar essa chance, ele é um ótimo partido e é podre de rico.

ROSA:
— Ai, você não entende dessas coisas de mulher, ainda é nova de mais pra saber do que estou falando. Quando você se casar com um cara assim e sua vida tiver se tornado uma rotina insuportável, vai entender porque eu ainda não aceitei o pedido dele. E também tem outras coisas...

ELEONORA:
— Que coisas? Tem outro homem?

ROSA:
— Pois sim. Eu não lhe disse que eram dois?

ELEONORA:
— jura? Conta, quem é?

-Elas ouvem um barulho no corredor, Angelina, a empregada, entra no quarto com uma bandeja de café (Angelina é curiosa e fofoqueira)
 
ANGELINA: (meio sem graça):
 — Bom dia patroa, trouxe seu café da manhã.
 
ROSA:
— Tava ouvindo nossa conversa atrás da porta é mulher?

ANGELINA:
— Não, claro que não Rosa, eu não sou de ficar ouvindo conversa de ninguém. Sabia que você estava acordada porque Eleonora entrou aqui já cedo. Imaginei que quisesse seu café da manhã no quarto, só isso. A gente não pode nem fazer um mimo que a pessoa já vem com quatro pedras na mão, credo! Já to saindo.

ROSA:
— É eu sei bem que você não é de ouvir conversa alheia, na maior parte das vezes você inventa conversa que nem ouviu. Eu te conheço mulher! Da o fora daqui mesmo, estou tendo uma conversa particular, não está vendo?
ANGELINA:
— Se era conversa particular, devia ter fechado a porta, estava aberta, como eu ia saber que não era pra entrar?

-Angelina deixa a bandeja sobre a mesa e sai. Rosa e Eleonora sentam-se a mesa e continuam a conversa enquanto tomam o café.
        
    ROSA:
— Essa daí é uma cobra, não dá pra confiar. (Diz ela, parecendo preocupada)
   
    ELEONORA:
— Deixe ela pra lá, e me conta logo, quem é esse outro cara?

ROSA:
— Acho que você também conhece. Sabe o Rafael, que trabalha na oficina do seu João?

ELEONORA:
Nossa! Aquele bonitão?

ROSA:
— É, ele mesmo! Então..., a gente já se conhecia de vista e um dia, na festa junina da paróquia, começamos a conversar, depois da festa eu trouxe ele aqui pra casa e aí..., rolou.

ELEONORA:
Ai sua cachorra. E você não me conta nada? Achei que além de sua secretária eu também era sua melhor amiga.

ROSA:
— E você é, mas isso não é coisa que a gente saia contando assim, além disso, estou te contando agora não estou?
ELEONORA:
— Ta bem, vou te perdoar dessa vez. Mas vai, conta tudo.

ROSA:
— Menina, foi maravilhoso, ele é o tipo de homem que eu gosto, é safado, gostoso, divertido, e tem mãos de fada pra cozinhar.
                                                                                              FADE OUT
                                                                                              FADE IN

CENA 1 DO FLASHBACK 2
Int./ noite/ sala de jantar da casa de Rosa/ luz artificial.

1.1-PLANO GERAL (Câmera parada)
1.2-ROSA e RODOLFO
1.3-RAFAEL (zoom in)
 




EM OFF (V.O)
Rosa:
Na segunda vez em que ficamos juntos trouxe ele de novo aqui em casa num fim de semana à noite, e ele me preparou um jantar maravilhoso.

-A sala não é muito grande, tem uma mesa de seis cadeiras, uma cristaleira e uma janela.

- Rosa está sentada á mesa enquanto Rafael serve o jantar, usando um avental, Rosa olha para ele e ele olha para ela e lhe sorri.
                                                                                                              CORTE SECO.

CENA 2 DO FLASHBACK 2
Int/ noite/luz artificial/ cozinha da casa de Rosa/

2.1-            PLANO GERAL (câmera parada).
2.1-            RAFAEL (zoom in)
 





EM OFF (V.O)
     ROSA:


     — Depois ele ainda limpou a cozinha toda...

-A cozinha tem tudo o que tem normalmente em uma cozinha, a pia está cheia de louça suja, tem uma janela e uma porta que se deduz ser para o corredor.

- Rafael está de perfil, virado para a pia, lavando a louça, também usando um avental, ele olha para a câmera como se estivesse olhando para Rosa, e sorri.
                                                                                                               CORTE SECO.
CENA 3 DO FLASHBACK 2
Int/ quarto de Rosa/luz artificial /

3.1-       PLANO GERAL (Câmera parada)
3.2-        ROSA (zoom in)
3.3-        CAMA (zoom in)

 





EM OFF (V.O)
      ROSA
      — E me fez uma massagem como ninguém nunca tinha feito antes. A gente ficou no rala e rola até de madrugada, aproveitando que as crianças tinham ido pra casa da minha mãe. Enfim, ele é perfeito, ele também me pediu em casamento aquela noite. 

Obs: Mesmo cenário- Plano geral — O quarto é amplo, tem uma cama de casal, um criado mudo com um abajur, um cabideiro mancebo, uma mesa perto da janela, com duas cadeiras, uma poltrona e uma porta para o closet.

-Rosa está deitada na cama de bruços vestindo uma camisola sensual entre as pernas de Rafael que lhe faz uma massagem, Rosa sorri de olhos fechados enquanto é massageada. Rafael sai de cima dela, eles puxam os lençóis e se escondem sob ele (entende-se que vão transar). Podemos ver muitos movimentos sob os lençóis e ouvimos Rosa rindo alto.
                                                                                                FADE OFF.
                                                                                                                      FADE IN. 

VOLTANDO A CENA PRINCIPAL 1.   
OBS: Continua seguindo a mesma decupagem da seqüência 1.
 ELEONORA:
— Isso é ótimo. O problema é que ele é pobre como o quê. Dizem que a mãe dele é quem o sustenta com o dinheiro da aposentadoria , porque ele quase não trabalha, ajuda o seu João lá na oficina de vez em quando, mas não quer saber de emprego fixo de jeito nenhum.

ROSA:
— É eu sei! Por isso foi que eu pedi um tempo pra dar a resposta. Ele continuou insistindo e eu tive que lhe dizer que não tenho condições de sustentar um homem, já sustento sozinha a minha casa e os meus filhos. Mas a verdade é que não queria perdê-lo, ele pode não ser o homem mais perfeito do mundo, mas me faz feliz, ele me faz rir, me entende, é companheiro, me apóia... Eu estava em uma situação muito difícil, na época tentei terminar tudo com o Rodolfo, contei a ele que tinha outro homem, fui sincera com ele.

ELEONORA:
— Contou? E o que ele disse?

ROSA:
— Ele disse que não se importava, disse que me amava e que não queria me perder, por isso aceitaria que eu tivesse outro homem, disse que sabia que não me satisfaz na cama porque sou muito fogosa, essas coisas...

ELEONORA:
— Meu Deus, este homem te ama mesmo!

ROSA:
— É ele me ama sim, e eu também amo ele do meu jeito, apesar de tudo ele tem muita consideração por mim e me trata com carinho, mas eu amo os dois, cada um de uma maneira diferente. Você entende agora a ideia desse projeto?

ELEONORA:
Agora eu entendo. Mas você já falou com os dois sobre isso? Eles concordaram com esse casamento duplo?

ROSA:
Rodolfo concordou, mas Rafael..., eu prefiro que ele pense que tudo não vai passar de uma armação política, e que o casamento com o outro marido será de mentira. Depois eu encontro uma forma de convencer ele.

ELEONORA:
Eu acho melhor você jogar limpo com ele desde o começo, mas a vida é sua, se você acha que essa loucura toda pode dar certo, eu não vou jogar areia no seu angu. O que quer que eu faça?

ROSA:
Eu quero que você marque uma reunião com os principais representantes do povo, lá na sede da associação de moradores, para amanhã, ás dez da manhã. Chame apenas os presidentes das associações dos bairros, vereadores e fofoqueiros. Principalmente os fofoqueiros, que aí não é preciso chamar o povo todo, eles se encarregam de espalhar a notícia.
A, e convide também o presidente da câmara. É importante que ele esteja presente, e depois, quero que coloque um anúncio pra mim na rádio.
                                                                                                         CORTE SECO.




CENA 2.

2.1- PLANO GERAL- (pessoas tomando seus lugares, rosa sentada, lendo) (câmera parada)
2.2- ROSA E ELEONORA- (zoom in)
2.3- PLANO GERAL- (perspectiva de ROSA)
2.4- PLANO GERAL- (perspectiva da platéia) ROSA indo até o meio da sala/ ELEONORA posiciona-se próxima a ela.
2.5- COUTINHO (zoom in)
2.6-ROSA- (zoom in)
2.7- COUTINHO (zoom in)
2.8- ROSA (perspectiva da platéia)
2.9- ROSA (zoom in)
2.10- PLANO GERAL- (perspectiva de ROSA) Eleonora distribui as cópias.
2.11- PLANO GERAL (perspectiva de Rosa) Angelina entra e se senta em uma cadeira no fundo da sala.
2.12- ROSA (zoom in)
2.13- ANGELINA (zoom in)
2.14- ELEONORA (perspectiva de ROSA)
2.15- ROSA (perspectiva de ELEONORA)
2.16- ROSA (zoom in)
2.17- COUTINHO (perspectiva de ROSA)
2.18-ROSA (perspectiva da platéia)
2.19- COUTINHO (perspectiva de ROSA)
2.20- ROSA (perspectiva da platéia)
2.21- AFONSO (zoom in)
2.22- PLANO GERAL- Platéia murmura. (câmera parada)
2.23- ROSA (zoom in)





Int/ sala de reunião da matriz das associações de moradores da cidade/manhã/ luz do dia/




2.24- PLANO GERAL- murmúrios da platéia.
2.25-ROSA (perspectiva da platéia)
2.26-COUTINHO (zoom in)
2.27-ROSA (zoom in)
2.28- PLANA GERAL- murmúrios da platéia. (câmera parada)
2.29- COUTINHO (perspectiva de ROSA)
2.30- ROSA (perspectiva da platéia)
2.31-PLANO GERAL (câmera parda)
2.32- PLANO GERAL- (perspectiva de ROSA) Coutinho gesticula.
2.33- RODOLFO (zoom in)
2.34- RAFAEL (zoom in)
2.35- ROSA- (perspectiva da platéia)
2.36- ELEONORA (zoom in)
2.37- PLANO GERAL-(perspectiva de ELEONORA)
2.38- ELEONORA (zoom in)
2.39- ROSA (zoom in)
2.40- PLANO GERAL- murmúrios da platéia. (perspectiva de ROSA)
2.41- MARIZA (zoom in)
2.42- ROSA (zoom in)
2.43- MARIZA (zoom in)
2.44- ROSA (zoom in)
2.45- COUTINHO (zoom in)
2.46- ROSA (zoom in)
2.47- AFONSO (zoom in)
2.48 – ROSA (zoom in)



2.49- PLANO GERAL- murmúrios da platéia. (perspectiva de ROSA)
2.50- COUTINHO (zoom in)
2.51- ROSA (zoom in)
2.52- PLANO GERAL- murmúrios da platéia (perspectiva de ROSA)
2.53- ANGELINA (zoom in)
2.54- ANGELINA  (zoom in)
2.55- COUTINHO (zoom in)
2.56- ANGELINA (zoom in)
2.57- COUTINHO (perspective de ANGELINA)
2.58- ANGELINA (zoom in)
2.59- COUTINHO (zoom in)
2.60- ANGELINA (zoom in)
2.61- RAFAEL
2.62- ROSA (zoom in)
2.63- RODOLFO (zoom in)
2.64- ROSA (zoom in)
2.65- RAFAEL (zoom in)
2.66- ROSA (zoom in)
2.67- RODOLFO
2.68- ROSA E ELEONORA (zoom in)
2.69-ROSA (zoom in)
2.70- BRIGA de ROSA e ANGELINA
2.71-ELEONORA E ROSA (zoom in)
2.72- ROSA (zoom in)
2.73- ANGELINA (zoom in)
2.74- COUTINHO (zoom in)


2.75- ANGELINA (zoom in)
2.76- ELEONORA E ROSA (zoom in)
2.77- ANGELINA
2.78- PLANO GERAL (câmera parada)
2.79- ROSA E ELEONORA (zoom in)
2.80- ELEONORA (zoom in)
2.81- ROSA (zoom in)
2.82- COUTINHO (zoom in)
2.83- ROSA (zoom in)
2.84- COUTINHO (zoom in)
2.85- ROSA (zoom in)
2.86- COUTINJO (zoom in)
2.87- ROSA (zoom in)
2.88- ROSA E COUTINHO.
2.89-PLANO GERAL (COUTINHO se retira).
2.90-ROSA E ELEONORA


 


- A sala é ampla, bem iluminada pela luz do dia, tem janelas grandes, está preparada para a reunião, tem uma mesa de escritório mais ao canto, muitas cadeiras, uma porta para o corredor e a porta de entrada. Sobre a mesa está uma pasta onde Rosa tem alguns relatórios e seu projeto por escrito, com várias cópias que Eleonora vai distribuir.
Entre os presentes estão, Rodolfo, Rafael, Luis Cardoso Couto, presidente da câmara municipal (Que todos chamam de Coutinho), Angelina, a empregada de Rosa que chega um pouco depois, uns oito ou dez figurantes que representam os presidentes das associações dos bairros, entre eles Afonso, e dona Mariza, fofoqueiros da cidade.

-Rosa está sentada a mesa, lendo uns papéis enquanto as pessoas vão chegando e se sentando, Rodolfo está na primeira fila de cadeiras á direita, Rafael está na mesma fila, mais á esquerda. Eleonora se coloca sempre em pé a esquerda de Rosa, mas sempre um pouco á frente dela para ficar em seu campo de visão, a maioria das pessoas já tomaram seus lugares, quando Eleonora vai até Rosa e diz:


ELEONORA:
Rosa, acho que já chegou todo mundo, você pode começar.

ROSA:
Mas vem só isso de gente? Você convidou mesmo todo mundo que eu mandei?

ELEONORA:
Sim, mas foi tão em cima da hora que muita gente já tinha compromisso.

ROSA:
— Tudo bem. Pelo menos, pelo que eu estou vendo daqui, os mais importantes vieram, e é isso o que interessa. Vamos lá então. Que seja o que Deus quiser!

-ROSA se levanta, anda até o meio da sala, os murmúrios vão se aquietando, todos voltam à atenção para ela, que começa a falar.

ROSA:
Atenção, atenção aqui senhoras e senhores, por gentileza.

- Os presentes fazem silêncio para lhe ouvir.

ROSA:
Eu quero agradecer a presença de todos vocês e, primeiramente, esclarecer o motivo pelo qual convoquei esta reunião, assim, tão em cima da hora.

COUTINHO: (LUÍS CARDOSO COUTO / PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DA CIDADE)
Faça isso senhora vereadora, porque confesso que até eu fiquei curioso!

- Os presentes murmuram, assentindo também curiosidade.

ROSA:
— Bem, como todos sabem, o meu mandato está chegando ao fim, assim como os de todos os eleitos deste período de governo. Em pouco mais de um mês começará uma nova campanha, da qual só Deus sabe qual será o resultado. Mas, apesar do pouco tempo que me resta, ainda posso apresentar projetos de lei que venham a melhorar a qualidade de vida do nosso povo.
Com um pouco de boa vontade, os projetos apresentados agora podem ser votados imediatamente na câmara, haja vista que a demanda de projetos para votação nesse período cai a quase zero, o que quer dizer que eu e meus colegas vereadores temos tempo de sobra para votar projetos novos até o fim do mês. Daí a minha pressa em convocar esta reunião.

COUTINHO:
Mas para apresentar o seu projeto, não era necessária esta reunião com os moradores da cidade, vereadora.

ROSA:
— Sim, eu sei que não, mas, no caso específico do meu projeto, senhor presidente, considero necessário sim que o povo esteja a par da minha proposta, até porque, eu sei que se trata de um assunto bastante polêmico e que vai causar muito zunzum pela cidade.

COUTINHO:
— Oras, mas o que é que a senhora faz que não cause zunzum senhora vereadora? Todas as propostas apresentadas pela senhora durante o seu mandato foram polêmicas. Qual é a novidade? (debochou o presidente)

ROSA:
— A novidade senhor presidente, é que desta vez, minha proposta de lei está fundamentada em dados oficiais do nosso município, sobre a família Ventaniense.

- Rosa vai até a mesa, pega alguns relatórios, volta para o centro da sala e continua...
                                  
ROSA:
Aqui está senhoras e senhores, aqui está o resultado do levantamento que mandei fazer para embasar minha proposta. Ouçam com atenção. Minha secretária vai distribuir cópias destes relatórios, para que todos os presentes possam ver com seus próprios olhos o que estou dizendo.

-Eleonora começa a distribuir os relatórios enquanto Rosa segue com seu discurso. Quando ela termina, retorna para o seu lugar á esquerda e um pouco a frente de Rosa, mas não muito próximo dela.

ROSA:
Nos últimos dez anos o número de matrimônios na cidade de Ventania do Norte, foi quase 60% menor do que o número de divórcios. Deste número, 95% dos divórcios, foram comprovadamente, causados por adultério, tanto da parte do homem, quanto da parte da mulher.


-Angelina (a empregada de ROSA), entra na sala e se senta enquanto Rosa está lendo o relatório, neste ponto ela então se manifesta.

ANGELINA:
Quer dizer que você agora está querendo se meter na vida amorosa do povo é patroa? Qual é o seu interesse nisso?


-Eleonora e Rosa trocam olhares como se soubessem que Angelina poderia criar problemas na reunião, caso tivesse ouvido algo da conversa delas no dia anterior.


ROSA:
Angelina minha querida, eu lhe pago para estar em minha casa a esta hora cuidando do serviço doméstico, e não para vir se meter em minhas reuniões, mas, como você também faz parte do povo de Ventania, vou responder a sua pergunta. — Meu interesse é o interesse do povo, se o povo está tendo muitos problemas em algum setor de suas vidas, seja ele qual for, cabe a mim, enquanto vereadora, procurar a melhor maneira de solucioná-los.

COUTINHO:
Ok. Só que até agora eu não entendi onde está querendo chegar com essa conversa toda senhora vereadora.

ROSA:
Peço que tenha calma senhor presidente, ainda não terminei de ler os relatórios. Tenho outros dados, mais relevantes no que toca a economia da nossa cidade e que eu gostaria de expor antes de falar sobre meu projeto, para que vocês possam compreender a utilidade que essa nova lei terá para o povo Ventaniense.

COUTINHO:
Tudo bem, mas seja breve. Acho que todo mundo aqui está com um pouco de pressa.

ROSA:
Se vocês derem uma olhada na segunda página dos relatórios, verão que os órgãos de proteção ao crédito apontam para um número expressivo de 70% dos consumidores negativados em nossa cidade, e na página seguinte, um aumento de 40% na procura das famílias a assistência social, também nos últimos dez anos. Verificando as informações, verão que essas famílias são chefiadas por pessoas devidamente empregadas, mas que não estão dando conta de manter as despesas familiares sozinhos.

AFONSO (PRESIDENTE DE ASSOCIAÇÕES DE BAIRRO DA CIDADE)
Mas o que significa tudo isso vereadora? O que a senhora quer nos mostrando esses relatórios? Diga logo porque nos chamou aqui.


- O povo murmura assentindo a pressa em saber o motivo da reunião.


ROSA:
Tudo bem, eu vou dizer. Observando esses dados, e principalmente os acontecimentos a nossa volta, não é difícil chegar à conclusão de que a estrutura familiar como á conhecemos, já não suporta as demandas que essa nova era nos impõe. Concordam comigo?

-Alguns murmúrios parecem assentir com a afirmativa de ROSA

ROSA:
— Então?! Eu também concordo comigo! — O custo de vida, o anseio pela liberdade, a globalização, mudaram, de forma drástica, a nossa visão de mundo, e as nossas necessidades enquanto indivíduos e seres sociais já não são mais as mesmas, prova disso é esse movimento em prol do reconhecimento legal dos casais homossexuais. Não podemos continuar fingindo que nada mudou. As leis tradicionais que regulam as uniões afetivas estão defasadas para os novos tempos, precisamos imediatamente adequá-las as nossas reais necessidades, reestruturando assim, a família, que é à base da sociedade. É claro que não podemos, de uma hora para outra, mudar a constituição do país, porém, podemos impetrar em nossa pequena Ventania do Norte uma lei municipal, que nos dê a liberdade de formar nossa própria base familiar, de forma que ela comece a atender aquilo que realmente precisamos.
Só assim meus queridos, poderemos dar o exemplo para o nosso país e resolver de maneira definitiva, os nossos problemas pessoais e coletivos.

COUTINHO:
O que diabos a senhora está tentando nos dizer com todo esse falatório, senhora vereadora?

ROSA:
— O que estou tentando não senhor presidente, o que estou afirmando é que vou apresentar na câmara de vereadores de Ventania, um projeto de lei que cria em nossa cidade o que eu chamo de dois novos regimes de casamento.


-Nesse momento há uma grande agitação entre os presentes, todos falam ao mesmo tempo, alterados.
COUTINHO:
— Mas era só o que me faltava mesmo! Do que a senhora está falando? Enlouqueceu? Explique isso melhor dona Rosa, que ninguém aqui está entendendo nada.

ROSA:
Por favor, gente, vamos nos acalmar. Por favor, façam silêncio e me ouçam que eu quero explicar o projeto para que ninguém saia desta reunião com dúvidas. Silêncio por favor!


- Os murmúrios vão se aquietando e todos voltam novamente à atenção para ROSA em absoluto silêncio.


ROSA:
Prestem atenção: Além do casamento tradicional que já conhecemos e que vou chamar de regime monogâmico (por ser apenas entre dois cônjuges), meu projeto criará outros dois regimes, que serão: Primeiro- Regime Bigâmico masculino, onde um homem poderá casar-se legalmente, por meio de uma união civil, com duas mulheres, ou no caso deste homem ser homossexual, poderá ser dois homens, de acordo com sua opção sexual.


- Os murmúrios recomeçam, mas ainda sob controle, pois todos querem continuar ouvindo o que Rosa diz. Coutinho gesticula com a cabeça em sinal de contrariedade, com expressão pasma. Rodolfo e Rafael olham para as pessoas observando a reação delas com a proposta de Rosa. Eleonora, a essa altura, tem uma expressão de receio e parece apreensiva com a reação do povo.

ROSA:
Segundo...

ELEONORA:
— Por favor, pessoal! (Interrompeu). — Se vocês não ficarem em silêncio e prestarem atenção, Rosa não poderá explicar direito o seu projeto. Escutem com calma e quando ela terminar, poderão se manifestar. Foi pra isso que ela convocou a todos, justamente para que digam o que pensam sobre sua proposta, mas antes vocês precisam ouvir com atenção!

- Os murmúrios se aquietam completamente.

ELEONORA:
Agora pode continuar! (Diz ela a ROSA)

ROSA:
Obrigada Lél! Bem, continuando então. O segundo regime será: O regime Bigâmico feminino, onde uma mulher poderá casar-se legalmente com dois maridos.  (considerando também sua opção sexual é claro!).

- Os murmúrios se exaltam, entendem-se apenas:


COUTINHO:
— Isso é um absurdo!

ANGELINA:
— Sem vergonhice pura!

AFONSO:
— Mas que ideia doida é essa?

MARIZA (FOFOQUEIRA DA CIDADE)
 — Essa pouca vergonha nunca vai dar certo aqui!

ROSA:
Pouca vergonha dona Mariza? Foi isso que escutei a senhora dizer? Pouca vergonha é querer legalizar aquilo que já acontece na clandestinidade, e que vem ameaçando as famílias de Ventania? Sim, porque a senhora e todo mundo aqui sabe que o seu marido mesmo é um grande exemplo da necessidade de mudança que precisamos, a senhora e todo mundo aqui sabe que o seu marido é amante de Nefertiti, sua vizinha, todo mundo sabe, inclusive, que ele é pai daquele menino dela que vive correndo ai pelas ruas, e que passa mais tempo na casa dela do que na sua casa. Ouvi falar, até, que ele está pensando em abandonar a senhora com seus três filhos e ir embora da cidade com a amante. O que a senhora acha disso? Todos esses anos a senhora vem aceitando que seu marido tenha uma amante, porque não pode aceitar que essa amante se torne uma segunda esposa? Isso seria melhor para a senhora do que ficar sozinha. Concorda comigo?


- Dona Mariza gesticula alguma coisa, como se assentisse a proposta de Rosa.

ROSA:
Então?! Eu também concordo comigo!

COUTINHO:
Mas que grande porcaria é essa senhora vereadora? Justo a senhora que depois que seu primeiro amasio, aquele forasteiro que a senhora colocou dentro de casa, e que sumiu no mundo depois de lhe engravidar pela segunda vez, sempre enche a boca para dizer que nunca mais quer saber de homem nenhum na sua vida, agora quer que as outras mulheres tenham dois maridos? Que papagaiada é essa?

ROSA:
Eu não quero nada senhor presidente, a única coisa que eu quero é que as pessoas possam assumir suas condições e seus sentimentos, para que as famílias de Ventania não sofram mais com esse número exorbitante de divórcios, nem de pais e mães de famílias grandes que não conseguem mais sustentar suas casas sozinhos. Só quero que a gente una o útil ao agradável. Vamos lá minha gente, em muitos países do oriente já se pratica a bigamia sem problema algum. Vamos deixar nosso falso moralismo de lado e pensar racionalmente para o nosso próprio bem.

AFONSO:
A senhora fala isso vereadora, porque não é a senhora que vai legalizar o chifre que carrega em cima da sua própria cabeça, vai poder ficar de lado, só rindo dos otários que aceitam dividir sua esposa, ou seu marido com outra pessoa.

ROSA:
Aí é que o senhor se engana seu Afonso. Eu serei a primeira a dar o exemplo para toda a cidade.

COUTINHO:
A sim, agora está explicado! Quer dizer então que a ilustríssima vereadora tem por aí dois namorados, e quer se casar com os dois legalmente para dar o exemplo aos outros, é isso?

ROSA:
— Tenho não, que eu sou uma mulher direita. O senhor veja lá como fala comigo seu Coutinho, não é porque o senhor é o presidente da câmara que pode me faltar com o respeito. Mas sim, eu terei! Hoje mesmo na parte da tarde, vocês ouvirão o anúncio na rádio RVN. Mandei minha secretária anunciar para a cidade toda que estou à procura de dois candidatos a maridos. Vou selecionar aqueles que mais me agradarem e farei o primeiro casamento triplo de Ventania do Norte, depois que o meu projeto de lei for devidamente votado e aprovado pela câmara municipal. Farei isso como prova de meu amor pelo povo ventaniense, para que outros triângulos amorosos da cidade que estejam querendo aderir à lei, mas não tenham coragem, possam se espelhar em meu matrimônio para enfim, resolverem suas situações conjugais. Com isso, espero diminuir, em muito, não apenas o número de divórcios na cidade, mas também espero resolver a situação financeira das famílias, e, além disso, atrair novos moradores pra cá, gente que virá por causa da nossa lei, não só pra fazer turismo, mas para se estabelecer, investir e trazer o progresso para Ventania...


- Os murmúrios se exaltam novamente, mas agora é possível ouvir as pessoas concordando com a proposta de Rosa, quando Angelina se levanta para interrompê-la.

ANGELINA:
— É mentira! (grita ANGELINA. — Essa mersalina não vai escolher dois futuros maridos só para depois que a tal lei for aprovada, ela já tem dois homens na cidade, e eles estão justamente aqui, fazendo papel de bobos!

- Angelina levanta-se e vai andando para á frente da sala enquanto diz o texto, mais pára um pouco antes de chegar á frente, ainda no corredor entre as cadeiras. Os murmúrios recomeçam curiosos sobre a história. Rosa está calada olhando para Angelina com uma expressão de desespero.

COUTINHO:
Como é que é dona Angelina? Conta essa história direito!

ANGELINA:
Eu conto sim seu Coutinho, mas o senhor sabe do sacrifício que isso vai representar pra mim não sabe? Eu trabalho pra ela, e vou pôr meu emprego por terra para livrar a cidade desta pessoa, por isso preciso de uma coisa em troca.

COUTINHO:
— Diga logo o que sabe!

ANGELINA:
— Digo! Mas quero o seu apoio para me candidatar nas próximas eleições no lugar de Rosa pelo seu partido.
Eu sim, me preocupo e me sacrifico pelo povo. O senhor não acha que eu mereço?
COUTINHO:
— Está certo dona Angelina! Agora diga para todos ouvirmos, o que a senhora está sabendo sobre essa história da vereadora?

ANGELINA:
— Eu ouvi, ela e a secretária, conversando ontem de manhã. Rosa já namorava o seu Rodolfo quando começou de safadeza com esse rapaz ali, o Rafael. Agora ela quer ficar com os dois, por isso inventou essa história de projeto de lei. O coitado do rapaz ta de trouxa na conversa, ela mentiu pra ele que o casamento com o segundo marido seria de fachada só pra enganar o povo, quando na verdade tava enganando era ele. Já o seu Rodolfo, pelo que eu entendi, é conformado mesmo, e aceitou participar da mentira toda pra não perder Rosa. Agora veja só, um homem tão distinto como ele, se prestando a um papel desses. É uma vergonha não é?


- Rafael observa tudo e expressando decepção olha para Rosa enquanto ouve o que Angelina diz. Rosa olha para Rafael com um ar de medo pela sua reação. Rosa olha para Rodolfo que á observa com expressão de piedade. Rosa olha novamente para Rafael que á está fixando com expressão de raiva. Rafael vira as costas e vai embora. Rosa fica inerte, seus olhos se enchem d’água por um momento, ela olha para Rodolfo, que á observa com uma expressão séria e também lhe vira as costas e sai. Eleonora se aproxima de Rosa e tenta acalmá-la.

ELEONORA: (falando baixo)
— Tenha calma Rosa, depois você conversa com eles. Vou dispensar todo mundo e acabar com essa reunião. Fique calma, por favor!

ROSA: (com voz alterada)
— Calma? Calma é uma ova, eu vou descer é a mão na cara dessa cascavel peçonhenta dos infernos!


- Rosa parte para cima de Angelina, dá um tapa na cara dela e lhe pega pelos cabelos, Angelina também pega pelos cabelos de Rosa e as duas se engalfinham puxando-se para baixo. Eleonora, seu Coutinho e outras pessoas presentes separam as duas. Eleonora segura Rosa para que ela não mais avance em Angelina.


ELEONORA:
Pare com isso Rosa, pelo amor de Deus! Você não vê que está dando razão a ela? É isso o que ela quer te desmoralizar. Não se suje com essa vagabunda.

ROSA: (gritando com ANGELINA)
— Eu vou acabar com você sua cobra venenosa!Eu te dei emprego na minha casa, te dei teu sustento e da tua família, e é assim que você me paga? Sua desgraçada!

ANGELINA:
Eu nunca gostei de você, só trabalhava lá porque precisava, mas eu sempre soube a boa bisca que você é, sua mersalina sem vergonha. Agora sou eu quem vou ocupar o seu lugar como vereadora dessa cidade.
Eu sim vou fazer leis úteis para o povo, coisa que você nunca prestou pra fazer. Era uma ideia mais absurda que a outra, seus projetos todos sempre foram piada na cidade, sabia disso?

COUTINHO:
— Já chega dona Angelina! A senhora já disse tudo o que eu queria saber, agora vai embora, depois conversamos.

ANGELINA:
— Eu vou sim. Também já falei tudo o que tinha pra falar. Vou aguardar o seu chamado para tratar da minha candidatura seu Coutinho.


- Eleonora fala com Rosa tentando acalmá-la. Angelina vai embora, seu COUTINHO começa a dispensar as pessoas da reunião. Rosa (trêmula de raiva) se senta em uma cadeira. ELEONORA vai buscar um copo com água e entra no corredor saindo da cena. Rosa se levanta para falar com seu Coutinho.

ROSA:
— Seu Coutinho espero que tudo isso não tenha lhe impressionado. Aquela mulher é a maior fofoqueira da cidade, o senhor sabe. Estou com tudo pronto para apresentar o projeto na câmara e acho que o senhor, prestando atenção em tudo o que eu disse aqui, deve ter entendido o quanto essa ideia pode ajudar, até mesmo no desenvolvimento da economia de Ventania do Norte. Quero que a câmara vote o projeto ainda esta semana se for possível!

COUTINHO:
— Não vai ter votação nenhuma dona Rosa. A senhora não entendeu ainda que a sua máscara acabou de cair aqui? Não vou deixar que a senhora use o seu poder de legisladora para legalizar as suas sem vergonhices!

ROSA:
Mas o senhor não pode me impedir de por um projeto em votação! Quem decidi se uma lei deve ou não deve ser criada são os vereadores. Além do mais, o senhor não é nenhum exemplo de conduta ilibada. Pensa que eu não sei dos seus cachos por aí? Pensa que eu não sei que a quenga chefe lá do puteiro só se deita com o senhor a mais de um ano, que o senhor lhe paga pela exclusividade? Oras senhor presidente, vamos o senhor não é tão moralista quanto quer parecer, e se quiser me impedir de votar o meu projeto, as fofoqueiras todas da cidade, como esta que me delatou hoje aqui vão ficar sabendo das suas histórias também, pode ter certeza! Em dois tempos a sua esposa vai lhe botar pra fora de casa. O senhor duvida?

COUTINHO:
— A senhora está me ameaçando vereadora?

ROSA:
— Estou sim!

COUTINHO:
— Está bem! Vou colocar o seu projeto na pauta, mas apenas para o ano que vem, depois da recessão das festas. Nesse meio tempo teremos a campanha e a nova eleição. Se a senhora vencer nas urnas mais uma vez, será uma prova de que o povo a apóia nessa ideia absurda, ai sim a câmara vota e decide se a sua lei vai vigorar ou não. O que me diz?

ROSA:
— Isso não é justo. Se eu perder as eleições meu projeto nunca será votado.

COUTINHO:
— Mas a senhora não está enchendo a boca pra dizer que sua ideia é maravilhosa? Então? Vamos deixar o povo nos dizer se concorda. Se a senhora se reeleger, vou entender como um apoio do povo ao seu projeto, e serei capaz até de fazer campanha em favor dele junto aos vereadores. O que me diz?

ROSA:
— Está certo então. Vamos ver o que o povo decide nas urnas!

COUTINHO:
— Combinado. Até mais dona Rosa!

- Coutinho vai embora. Eleonora volta com o copo de água, Rosa senta-se novamente e bebe a água.

ELEONORA:
Beba essa água minha amiga, ajuda a acalmar. Beba e vamos, vou te levar para casa, você precisa descansar a cabeça agora e esquecer tudo isso.

ROSA:
Não, eu não quero ir para casa agora! Será que você pode me fazer o favor de ir buscar as crianças na escola pra mim? Eu vou dar uma volta, andar um pouco por ai pra esfriar a cabeça.

ELEONORA:
Claro que sim. Eu pego as crianças pra você!

ROSA:
Obrigada minha amiga, eu nem sei o que seria de mim sem você pra me ajudar! Você é como uma irmã que eu nunca tive.

- ROSA pega na mão de Eleonora e Eleonora lhe sorri.
                                                CORTE SECO.



CENA 3.
Ext./praça da cidade de Ventania do Norte/luz do dia

3.1- PLANO GERAL (ROSA caminha)
3.2-ROSA (zoom in)
3.3-Plano geral (Rosa senta-se no banco da praça)
3.4-ROSA (zoom in)
3.5-PLANO GERAL (RODOLFO e RAFAEL vem ao longe)
3.6-PLANO GERAL (RODOLFO e RAFAEL se abaixam diante dela)
3.7-RODOLFO (zoom in)
3.8-RAFAEL (zoom in)
3.9-ROSA (zoom in)
3.10- RODOLFO (zoom in)
3.11-ROSA (zoom in)
3.12-RODOLFO (zoom in)
3.13-RAFAEL (zoom in)
3.14-ROSA (zoom in)
3.15-RADOLFO (zoom in)
3.16-RAFAEL (zoom in)
3.17-ROSA (zoom in)
3.18-PLANO GERAL (ROSA RADOLFO e RAFAEL se abraçam)
3.19-TRANSEUNTE (PASSA OLHA E GESTICULA) (zoom in)
3.20-PLANO GERAL
3.21-RAFAEL (zoom in)

3.22-RODOLFO (zoom in)
3.23-ROSA (ZOOM IN)
3.24-RAFAEL E RODOLFO
3.25-PLANO GERAL







-A praça tem bancos, árvores, canteiros, e o centro oval, caminhos entre os canteiros que levam á rua, e muita sombra, pessoas passando, carros na rua.

-Rosa caminha lentamente pela praça, segurando sua bolsa, faz um dia lindo de sol, ela está de óculos, aproxima-se e senta-se em um dos bancos da praça,tira os óculos coloca-os na bolsa e olha para as árvores e para as pessoas que passam, tem um semblante triste e pensativo. Rosa ouve a voz de Rodolfo chamando por ela, olha para o lado e vê ele e Rafael vindo ao seu encontro. Os dois chegam perto dela e se ajoelham em sua frente para lhe falar.

RODOLFO:
Rosa..., Rosa... Nós estávamos te procurando pela cidade toda.Eu conversei com Rafael, expliquei a ele toda a situação, e ele entendeu!

RAFAEL:
Sim meu amor, eu entendi. Me desculpe! É que o jeito como aquela a mulher falou e você não ter me dito nada, me deixou confuso. Não era isso que eu tinha imaginado pra nós dois, mas, se essa for à única maneira de eu poder ficar com você, aceito sua condição. Eu e o Rodolfo já conversamos e entramos em um acordo. Nós aceitamos seu pedido de casamento.

ROSA:
O meus amores, eu fico muito feliz e lisonjeada com todo esse carinho que vocês tem por mim, mas, agora, acho que nosso casamento triplo não vai ser possível.

RODOLFO:
— Mas porque não?

ROSA:
— Porque seu Coutinho resolveu embargar a votação. Ele disse que vai colocar meu projeto na pauta, mas só para a agenda do ano que vem. Isso quer dizer que se eu não vencer as próximas eleições, meu projeto será jogado no lixo e um casamento oficial entre nós três nunca vai ser possível, nem aqui nem em lugar nenhum.

RODOLFO:
— Mas não tem problema, nós podemos viver juntos da mesma forma.

RAFAEL:
— Sim meu amor, a gente não se importa com o que o povo vai pensar ou falar sobre nós, só não queremos te perder.

ROSA:
Eu sei meus queridos. Mas viver na clandestinidade com dois homens acabaria com a minha imagem. Mesmo que eu não vença as eleições, pretendo continuar na política, e ter dois amasios vivendo comigo na mesma casa, seria muito ruim, a oposição teria um prato cheio pra me comer com farinha. Vocês entendem não é?

RODOLFO:
Então vamos trabalhar, vamos virar essa cidade do avesso pra que você vença, Faremos à maior e melhor campanha política para uma vereadora que esta cidade já viu. Vou investir cada centavo que tenho se for necessário pra que você vença.

RAFAEL:
— Sim! E eu serei o melhor cabo eleitoral que uma candidata já teve no mundo inteiro. Vou bater em cada porta, falar com cada cidadão desta cidade e serei muito persuasivo, você vai ver, tenho certeza que juntos conseguiremos te colocar lá dentro da câmara novamente para enfim, aprovar o seu projeto.

ROSA:
— Eita que assim vocês me deixam até emocionada com tanta dedicação!Eu nem sei como agradecer, acho que não mereço todo esse amor de pessoas tão maravilhosas como vocês dois, meus amores!

-Rosa acaricia os rostos de Rafael e Rodolfo, eles á abraçam, pessoas que passam por perto no momento olham para eles e gesticulam com a cabeça em sinal de desaprovação.

RODOLFO:
— Você merece sim meu amor! Minha vida não teria a menor graça sem você por perto.

RAFAEL:
— Eu tive uma ideia! O que vocês acham da gente se casar em uma cerimônia religiosa aqui mesmo na praça?

ROSA:
— Como assim? Você acha mesmo que o padre casaria nós três? Ta maluco é?

RAFAEL:
O padre não, mas pai Caetano lá do terreiro de umbanda que a minha mãe freqüenta, não teria problema algum em casar uma mulher com dois homens, ainda mais se tratando de você que ele gosta tanto Rosa.

RODOLFO:
Ele tem razão. Não deixaríamos de ter oficializado nosso casamento de alguma forma. Podemos nos casar logo depois das eleições, tenha você se elegido ou não, daremos o exemplo para o povo do mesmo jeito. O que você acha disso?

ROSA:
— Eu acho que nós três formamos um belo trio, e que seremos muito felizes juntos. Concordam comigo?


-Rafael e Rodolfo respondem que sim, sorrindo, Rosa se levanta, os envolve em seus braços e conclui.                               


ROSA:
— Então?! Eu também concordo comigo!

MÚSICA DE TRILHA SONORA. (sugestão: Raul Seixas e Wanderléa cantam "Quero Mais")

FADE OUT.


DOIS MESES DEPOIS...


FADE IN.




CENA 4. 
Int/sala de estar da casa de Rodolfo/noite/ luz artificial

4.1-PLANO GERAL (câmera parada)
4.2-RAFAEL (zoom in)
4.3-PLANO GERAL (câmera parada)
4.4-RODOLFO (zoom in)
4.5- ROSA (zoom in)
4.6-RAFAEL (zoom in)
4.7-ROSA RODOLFO E RAFAEL E AS CRIANÇAS.
4.8-PLANO GERAL



Obs: MESMO CENÁRIO ANTERIOR- A sala é bem iluminada, a janela está aberta, tem um sofá de três lugares, uma poltrona, uma mesa de centro, uma porta para a sala de jantar, uma porta que se deduz levar ao quarto, uma porta de saída e uma estante antiga com a TV.

-O resultado das eleições está sendo apurado, Rosa está sentada na poltrona, aparentando ansiedade, Rafael lhe serve uma xícara de chá, os dois filhos de Rosa brincam pela casa.

ROSA:
E esse resultado da contagem de votos que nunca sai meu Deus do céu...!

RAFAEL:
Beba esse chá. É calmante.

-Rafael vai em direção da cozinha, Rodolfo entra na sala segurando o telefone.

RODOLFO:
Você venceu Rosa! Já tingiu os votos necessários. Você foi reeleita meu amor!

-Rosa dá um pulo da poltrona, Rafael, que estava indo para a cozinha, volta para traz, com expressão de felicidade.

ROSA:
Eu venci?Eu venci!Venci...

RAFAEL:
Ela venceu? Você venceu amor!Você venceu!

-Todos se abraçam e pulam de felicidade. Rafael ergue o filho menor de Rosa no colo, Rodolfo ergue sua filha maior e os cinco comemoram abraçados.

CORTE SECO.


CENA 5.
Ext./praça da cidade de Ventania do Norte/luz do dia.

5.1-IMAGEM AÉREA VAI SE APROXIMANDO
5.2-CARRO DE ROSA
5.3-ROSA E ELEONORA
5.4-ELEONORA (zoom in)
5.5-ROSA (zoom in)
5.6-PLANO GERAL (todos olhando para Rosa)
5.7- RODOLFO (zoom in)
5.8-RAFAEL (zoom in)
5.9-ROSA (zoom in)
5.10-PLANO GERAL (ROSA de costas, caminhando para o altar)
5.11- RAFAEL ROSA e RODOLFO NO ALTAR.
FADE OUT/FADE IN-
5.12- RODOLFO ROSA E RAFAEL (caminham de braços dados)
5.13- ROSA (ZOOM IN)
5.14- PLANO GERAL
5.15-ROSA RAFAEL E RODOLFO (zoom in) pelas costas deles.



- Obs: Mesma praça, mesmo cenário- O altar foi montado no centro da praça e um dos caminhos que levam á rua está preparado para a entrada da noiva, com muitos arranjos de flores nas cercas dos canteiros, há pétalas de rosas vermelhas cobrindo todo o chão da entrada e do centro da praça. Todos vestem branco, os noivos também. O pai de Santo, conhecido como pai Caetano, está posicionado no altar, por detrás dele é possível ver muitas imagens dos santos da umbanda, Yemanjá, Iansã, Ogum, Zé Pilintra, etc. Os membros do terreiro estão vestidos a caráter e posicionam-se de maneira a formar uma roda. Do lado esquerdo e direito próximo ao altar, estão os atabaques que os filhos de santo tocam antes e depois da cerimônia, Os convidados se posicionam atrás dos filhos de santo para assistir o casamento, há também curiosos olhando mais ao longe. Todas as personagens da história estão presentes.


- Câmera aérea vai se aproximando, de longe se ouve o ponto de casamento da Umbanda sendo cantado e tocado ao som dos atabaques. Os noivos já estão posicionados diante do altar, o carro de Rosa pára na entrada da noiva, Eleonora é quem está dirigindo, ela desce, abre a porta do carona e ajuda Rosa a descer, Rosa está com um vestido branco, mas o vestido é simples, também tem um belo arranjo nos cabelos, todos olham curiosos, Rosa e Eleonora se abraçam emocionadas.

ELEONORA:
Chegou a sua hora! Vai lá, e seja muito feliz viu!

ROSA:
— Eu vou sim. Obrigada minha amiga!

- Os dois filhos de Rosa saem do carro e á acompanham levando as alianças. Rosa ajeita o vestido e segurando o buquê de rosas vermelhas, segue em marcha para o altar, Todos olham para ela. O som dos atabaques continua até que ela e os dois noivos se colocam diante do pai de santo para dar início à cerimônia.
FADE OUT.


FADE IN.

Música da trilha sonora. ( Sugestão: Raul Seixas e Wanderléa cantam "Quero Mais")


- Terminada a cerimônia, Rodolfo, Rosa e Rafael vão saindo de braços dados, o povo joga arroz sobre eles, todos comemoram. Rosa olha para trás e joga o buquê na direção das mulheres que os seguem, a câmera mostra os três pelas costas quando Rafael retira a mão de Rosa do seu braço, e levando-o por detrás das costas dela aperta a sua nádega. Rodolfo também retira a mão de Rosa do seu braço, e passando-o também por detrás das costas dela, dá um tapa na mão de Rafael.



FIM.