sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O SILÊNCIO DOS ANJOS - CONTO ERÓTICO DE LITERATURA FANTÁSTICA - ( Conteúdo adulto)



capítulo I

E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.
E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o homem que tinha formado.
E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Gênesis 2:7-9
Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; e da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e será ambos uma carne, e ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam.
Gênesis 2:21-25

Adão e Eva caminhavam juntos admirando o jardim, saboreando os frutos, ouvindo o canto dos pássaros e sentindo o toque aveludado do vento a brincar com o verde da folhagem. A água pura e fresca saciava a sede, o céu, azul cristalino, enchia seus olhos de encanto e eles viam um no outro a perfeição de Deus germinando em seus corações a semente do amor.
Aos olhos de Adão, a forma feminina era algo magnífico, como calor do sol que lhe aquecia o espírito e lhe supria de humanidade, pois o movimento de suas curvas agitava o sangue em suas veias e em seu corpo nenhum só pêlo permanecia indiferente a beleza de Eva.
Para Eva, nada mais havia de si, que não fosse à completude de Adão, como se eles tivessem sido milimetricamente esculpidos para encaixarem-se pele á pele, como se fossem um só ser, feito dos dois.  Olhar para daqueles olhos quadrados, deitados naquela face sisuda era submergir nos braços do criador e converter-se a essência da humanidade, recebendo as dádivas do amor.
 Chegou à primeira noite e sob a penumbra da lua cheia que trazia à magia do primeiro luar, as estrelas cintilavam desenhando a grandeza do infinito, anjos e querubins festejavam a criação do mundo com seus habitantes e em cambalhotas nas nuvens e vôos rasantes, eles davam as boas vindas para a espécie humana.
Um dia não foi suficiente para que conhecessem tudo na Terra, á cada momento eles faziam novas descobertas, então, sentindo-se exaustos, adormeceram sobre a relva, com o toque refrescante da brisa, ouvindo os sons da natureza, dos grilos, sapos e corujas, dentre tantas formas de vida que orquestrava a melodia do crepúsculo, eles dormiram profundamente.
Adão despertou com os primeiros raios de sol e lentamente foi se afastando de Eva para não acordá-la, algo novo estava acontecendo e ele percebeu que foi a proximidade entre os dois que lhe causou aquela reação física, seu pênis estava intumescido, de tal forma que chegava a latejar, embora não soubesse o que seu corpo queria lhe dizer, uma força tremenda o atraia para a mulher, era uma sensação gostosa que o aquecia. Ele andou alguns passos para longe, curioso como uma criança a divertir-se com o inesperado e olhava para Eva com seu corpo belo e apetitoso que aumentava sua vontade de possuí-la, como um leão faminto olhando para uma presa farta, então viu uma serpente que subia pelo corpo dela, assustado, procurou em volta algum objeto com o qual pudesse livrá-la daquele bicho peçonhento.
– Calma, não precisa ter medo. Sussurrou a serpente com uma voz feminina e macia.
– Você fala? Indagou Adão, meio confuso. Deixe-a em paz! Disse ele temeroso.
– Não deveria se preocupar comigo, é você quem está pensando em fazer coisas condenáveis com ela! Respondeu a serpente com ironia.
– Não estou pensando em nada, eu seria incapaz de lhe causar qualquer mal.
– Não seria mesmo? Então porque você está excitado?
– Eu não sei, acordei assim. O senhor não me instruiu sobre isso.
– Claro que não, você tem o livre arbítrio, pode escolher se quer obedecer aos seus instintos. É a sua natureza pedindo pelos prazeres da carne.
– Eu não farei nada que o criador não tenha autorizado!
– Oras, quando você tem sede, bebe a água fresca que o seu Deus criou, quando tem fome, alimenta-se dos frutos doces com que ele lhe presenteou, agora está sentindo desejo, deve servir-se da mulher que ele fez para você, não lhe parece óbvio? Argumentou a serpente.
– Parece óbvio, mas não farei nada de que possa me arrepender. Afirmou Adão.
Então a serpente começou a mover-se pelo corpo de Eva, atraindo os olhos de Adão para as partes mais intimas dela. – Veja estes seios pequenos e rígidos..., ela também está excitada e vai acordar com tanta vontade quanto você – e continuou. – são tão quentes e saborosos! Sei que você quer isso, não negue!
Num súbito, a serpente transformou-se também em uma bela mulher, ruiva, de olhos verdes e corpo escultural, sobre o corpo de Eva ela começou a tocá-la e enquanto olhava para Adão á beijou na boca, despertando-a daquele sono profundo. Eva correspondeu ao beijo sem questionar, parecia estar sob uma espécie de hipnose, pois em momento algum quis resistir ao assédio da serpente, Adão observava tudo, numa ambivalência de sensações estranhas, mais muito excitantes.
A serpente passou a acariciar Eva e enquanto á beijava foi descendo a mão por entre suas coxas, acomodando seus dedos no âmago do seu sexo, Eva gemia baixinho, então a serpente a posicionou de forma que Adão pudesse ver as carícias e a fez relaxar, masturbando-a com movimentos delicados em seu clitóris úmido. Contorcendo-se de excitação Eva flexionou o pescoço para que pudesse alcançar com a boca os seios da mulher serpente passando a sugá-los como um filhote faminto. Adão já não suportava mais assistir a tudo paralisado, estava enlouquecido de desejo, seus instintos falavam mais alto e com uma das mãos ele movimentava seu pênis sentindo cada vez mais prazer com as provocações da serpente. Ela então afastou os lábios de Eva e deixando exposta a sua cavidade, disse: – Olhe Adão, ela é pura como as flores silvestres do campo. Como pode deixar sua mulher ardendo de desejo dessa maneira?
– Não devo fazer isso!
– Então talvez eu possa fazer isso por você – Disse a serpente, transformando- se agora em um homem.
– Não! Gritou Adão. Afaste-se dela criatura diabólica, não toque nela! Ordenou.
– Posso fazer o que eu quiser. Para ela ser sua mulher tem que possuí-la, e essa é uma lei natural que você se recusa a cumprir – Disse a serpente, na forma masculina de um jovem, moreno claro, olhos escuros e cabelos negros.
Então o homem serpente começou a esfregar seu pênis rígido na entrada da vagina de Eva, que gemia implorando para ser penetrada, e ele lambia seus seios e mordia suas orelhas e pescoço levando-a ao êxtase. – Possua-me – repetia Eva – Por favor, me penetre! Repetia aos gemidos.
– Há..., que delícia! –Você não imagina como isso é bom! – Dizia ele, percebendo que Adão já sedia ao assédio. ­– Há..., gemia ele, para provocá-lo ainda mais.
Quando a serpente percebeu que ele não tinha mais forças para resistir, tomou a forma feminina, aproximou-se dele pelas costas estabelecendo contato físico, encostou-se nele roçando-se em sua pele e lambendo suas orelhas, o tentava: – Olha como ela está com vontade! Vê que está tomada de excitação? Você pode deleitar-se do corpo dela, foi para isso que o criador a fez, para servi-lo como uma escrava dos seus desejos. – Disse isso, pegando a mão esquerda de Adão e levando-a entre suas pernas. – Está sentindo latejar? Imagine agora seu pênis penetrando-a. Isso não te excita?

– Excita muito! Respondeu Adão, já sem forças para lutar contra tamanha provocação...

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Continuação   CAPÍTULO I



— Então vem – Disse a serpente — É hora do prazer.
A serpente o tomou pela mão e o levou até Eva que continuava deitada na grama olhando para eles com uma expressão libidinosa, os dois sentaram-se em volta dela, a serpente tomou novamente a mão de Adão, que parecia vacilar em tocá-la, e a conduziu aos seios de Eva, ao tocá-la Adão teve um instante de lucidez e quis recuar. — Não posso fazer isso! exclamou.
A serpente então, ainda na forma feminina, curvou-se diante dele e passou a lhe fazer acaricias orais, até que ele cedesse aos impulsos sexuais que o dominavam, quase em êxtase Adão sobrepôs seu corpo sobre o corpo de Eva e a penetrou ferozmente, ouvindo seus gritos e gemidos que pediam mais e mais, de forma insaciável.
Quanto mais ele a penetrava, mais prazer sentia, uma atmosfera de delírios tomou conta dos dois, e eles rolaram pela grama revezando-se nas mais variadas posições que aumentavam a satisfação sexual.
Em um dado momento, Adão olhou para o rosto de Eva e em seu lugar viu a face da serpente, mas aquela altura na busca frenética pelo ápice do gozo a aparição da serpente foi uma dose a mais de incentivo a excitação, por isso, ignorando aquela criatura diabólica, ele continuou. Naquele mesmo momento sentiu a presença de alguém que o envolvia pelas costas, ele olhou de canto de olho e viu Eva lhe beijando o pescoço e roçando-se em seu corpo, a presença de duas fêmeas no ato sexual aumentava sua libido, era um novo paraíso dentro do Éden, os três corpos se entrelaçavam alucinadamente.
Certa hora Adão olhou para à serpente, mas agora ela estava em sua forma masculina, aquela visão o perturbou e ele quis interromper a penetração, mais não conseguiu, era como se estivesse sob a influência de uma força maior que o mantinha escravo do próprio desejo, por isso, continuou a deleitar-se com aquele ser, de sua mesma espécie e gênero, sem se importar com o inusitado que lhe causava até um certo gosto, pois aqueles gemidos masculinos provocavam sua virilidade e aumentavam a sua vontade de impor mais violência em cada penetração, ele sentiu-se dominante, como um animal selvagem que domina seu opositor, e isso o excitava ainda mais. As imagens se confundiam como numa espécie de alucinação, misturando-se realidade e delírio enquanto eles alcançavam o ponto máximo do prazer. A serpente, agora na forma masculina, estava entre os dois.

Eva começou a recobrar os sentidos que lhe vinham em instantes de consciência, por um momento ela olhou para Adão e aquele homem serpente lhe sorriu pelas costas dele, Adão parecia enfeitiçado, não se dando conta de que a relação sexual chagara a tal ponto. Surpreendida com o que via, Eva sentiu uma angustia terrível e despertou, percebendo imediatamente que tudo não passava de um grande pesadelo. Adão também despertou em seguida e vendo o seu semblante tenso a questionou, mas ela não quis falar sobre o estranho sonho que teve.
O jardim ficava ainda mais belo ao amanhecer, os anjos passeavam em volta deles e lhes traziam os frutos mais doces do pomar:
_ Bom dia, bom dia..., diziam eles, depois, voavam pra longe e por horas não se podia mais vê-los, apenas os pássaros continuavam a cantarolar.
Adão sentiu que seu pênis estava ereto e olhou para ele num impulso, Eva ao seu lado lhe sorriu, como se já soubesse daquela mudança que lhe ocorria, ele, um tanto constrangido, sorriu de volta e ela o beijou ternamente como quem quisesse tranquilizá-lo. Um abraço mais aconchegante, uma carícia um pouco mais libidinosa e seus corpos foram sendo tomados pelo calor do desejo, então Eva deitou-se na grama conduzindo-o para perto dela e com um beijo as ações fluíam naturalmente como se já fizesse parte dos seus instintos mais primitivos, o ritual em perfeito sincronismo dando inicio ao ato sexual.

        Cuidadosamente Adão começou a penetrá-la, mas nesse momento Eva se lembrou daquele sonho estranho como flashes lhe vinham à memória e a penetração, embora cuidadosa, tornou-se desconfortável, Adão estranhou ao ver que ela sangrava e perguntou se queria parar, mas Eva, mesmo com dor, pediu que ele continuasse pois via o quanto aquilo era prazeroso para seu marido. Tendo seu consentimento Adão se empolgou, Eva, de dor começou a gemer cada vez mais alto e quanto mais ele a penetrava, mais dor ela sentia, não suportando o enorme desconforto Eva quis parar, porém, Adão já não deixava que ela se movesse, segurava-a pelos braços e impondo todo o peso do seu corpo sobre ela conseguia imobilizá-la, quanto mais ela gritava e implorava para que ele parasse, mais ele lhe enterrava o membro com força, urrando como um louco. Eva sentiu medo de Adão que parecia ter se transformado pelo fervor do sexual, a relação amorosa durou alguns minutos, mas para ela pareceram horas. Sentindo o instante do orgasmo, Adão deu seu último urro de prazer e ejaculou demoradamente.

...CONTINUA NO PRÓXIMO POST. ( SEMANAL)



CAPÍTULO II


No jardim do Éden todas as criaturas viviam em harmonia, as aves, os insetos, todos podiam falar, assim como os anjos e querubins que por ali ficavam sempre ao redor de Adão e Eva, auxiliando-os no aprendizado das coisas da Terra, eram eles quem lhes explicavam as funções de cada planta, cada árvore, cada animal e tudo mais sobre o funcionamento do planeta, do universo, das galáxias, dos mares, da atmosfera e a maneira como o solo deveria ser cultivado no futuro para alimentar seus descendentes. A música foi à primeira arte a que o Homem teve conhecimento, pois os anjos os ensinaram os segredos do primeiro instrumento musical divino, a harpa, que tão graciosamente tocavam para alegrar os dias.
Como de costume, todas as manhãs os anjos os acordavam, enfileirados no ar, traziam cada um com uma oferta, um tipo de fruto, de raiz, de flor, água fresca e os cavalos mais robustos para que pudessem passear pelos campos: – Bom dia Adão. Disseram eles, com um largo sorriso.  – Já é hora de acordar, o dia está perfeito para um passeio nas montanhas.
Depois de deixarem as ofertas eles voavam novamente para o céu e só retornariam ao entardecer ou quando fossem solicitados. Os anjos não costumavam falar mais que o necessário eram, discretos e reservados, já os  querubins, falavam como matracas e por vezes tinham de ser repreendidos, ou falariam interminavelmente.
Adão e Eva cavalgaram para as montanhas do norte, para banharem-se no lago de águas termais, Eva andava um tanto calada, como se seus pensamentos fugissem do presente, estava sempre com uma expressão tensa como se quisesse dizer algo.
– O que você tem mulher, parece preocupada? Disse-lhe Adão.
­– Não é nada, só tenho percebido umas coisas estranhas ultimamente. Disse ela.
– O que foi?
– Não sei..., Você reparou que os anjos disseram bom dia só para você?
– Sim. Como em todas as manhãs. O que tem isso?
– Não. Eles sempre dizem bom dia para nós dois, mas hoje eles disseram: “Bom dia Adão”, como se estivessem falando apenas com você. E ontem à noite, procurei por dois anjos para que me dissessem o nome de uma estrela que se destacava no céu, mas eles me viraram as costas como se não estivessem me ouvindo. Contou Eva.
– Mas que bobagem, porque os anjos deixariam de falar com você? Você está imaginando coisas. Se quiser eu chamo um deles agora para esclarecermos isso. Disse Adão.
– Não. Você tem razão, deve ser coisa da minha cabeça mesmo, deixa pra lá. Respondeu Eva pra terminar o assunto, pois temia que o caso fosse bem mais grave do que seu marido podia perceber, aquele pesadelo da primeira noite no Éden não lhe saía da cabeça e a dor terrível que havia sentido na primeira vez em que se deitaram só fez aumentar suas dúvidas, uma angústia inexplicável á acompanhava desde então.
O lago termal das montanhas era mágico, as águas mornas e o vapor que emergia delas formavam uma paisagem inusitada, era muito agradável sentir-se envolvido pelo conforto do calor naquela manhã fria, embora ensolarada.
Cada segundo de vida provava a imensidão do amor de Deus pelo Homem, tudo no planeta que ele lhe deu como lar tinha sido pensado para o seu bem estar e felicidade, Adão sentia-se imensamente abençoado, já podia imaginava seus filhos desfrutando das maravilhas da Terra e a ideia imediatamente o excitou. Com desejo ele aproximou-se de sua mulher e começou a beijá-la enquanto a buscava com carícias, mas Eva não permitiu que ele continuasse, percebendo logo sua intenção, afastou-se abruptamente. 
– Mas o que foi? Perguntou Adão, surpreso com a reação dela.
– Eu não quero.
– Porque não? Você me disse que tinha gostado, não entendo porque dessa recusa agora. Disse ele.
– Sim, eu sei, mas, preciso de um tempo! Disse Eva, saindo do lago.
Adão achou melhor deixá-la em paz porque sabia que algo á estava incomodando, mesmo que ela não quisesse lhe contar, talvez ele á tivesse machucado sem perceber, talvez para ela o sexo não tivesse sido tão agradável quanto foi para ele, por isso não quis questioná-la naquele momento.

Os dias foram passando, eles se ocupavam no aprendizado das ciências das plantas e da terra, sendo um aluno aplicado, Adão tinha facilidade para entender as lições dos anjos. Quanto mais conhecimento Adão adquiria, sentia-se senhor de sua própria existência, porém, sabendo-se subordinado ao seu criador, a quem mantinha total obediência e devoção. Eva se tornava cada vez mais estranha e distante, queria disfarçar, mas fugia toda vez que Adão se aproximava dela com a intenção do sexo, ele a interpelava de todas as formas para compreender a sua recusa, mas ela continuava afirmando que estava bem e que precisava apenas de um pouco mais de tempo.
Em uma tarde ensolarada, Adão e Eva foram tomar banho de cachoeira, Adão já há muitos dias vinha contendo o seu desejo, mas a imagem de sua mulher sob a queda das águas cristalinas que desciam pelo seu corpo o deixou muito excitado. Tomado por aquela vontade louca de possuí-la ele se aproximou dela fazendo-lhe carícias e mais uma vez ela o recusou, impaciente Adão decidiu tomá-la por força, então á enlaçou com os braços e á carregou para as pedras:

CONTINUA NO PRÓXIMO POST...


CAPÍTULO III



– Para com isso! Gritava Eva.
– Não, vou parar! Você não quer me satisfazer e também não diz o está acontecendo. Eu sou seu marido, tenho desejo e vou possuí-la! Disse Adão, obrigando-a a abrir as pernas. Eva não teve forças para impedi-lo.
Adão conseguiu penetrá-la, ignorando seus gritos:
 – Diz pra mim que você não gosta disso. Diz pra mim que isso não é bom! Você gosta disso não gosta?
Eva sentiu alguma dor na primeira penetração, mas aquele movimento logo começou a ser prazeroso conforme Adão ia lhe incitando a senti-lo, ela foi se acalmando e o que era dor, transformou-se em um prazer intenso como até aquele momento ainda não havia experimentado, porém, ela não conseguia livrar-se daquela angústia que á preocupava.
– Sim, eu gosto disso, é muito bom. Mas não, não podemos. Pare por favor! Pediu ela, ao lembrar-se do que á afligia.
– Parar? Indagou Adão indignado, pois a um segundo ela lhe pedia para continuar, parecia estar adorando tudo, e um segundo depois já estava a repudiá-lo novamente. Adão foi tomado de fúria pela reincidência do repúdio, achou que ela fazia pouco dele, e com um movimento forte á penetrou sem piedade. Por todo o jardim do Éden foi possível ouvir aquele grito, mas a dor da mulher só fazia com que ele se sentisse ainda mais excitado, para ele, assim como ainda á pouco, ela novamente cederia e em breve estaria compartilhando do seu prazer, sua resistência nada mais seria que uma iniciação aos deleites do gozo, que ele acreditava ser natural, por ela ser mulher.
_ Quer que eu pare agora? Perguntou ele, para certificar-se de que a esposa já começava a gostar de ser penetrada. Eva podia ter escapado, pois ele afrouxou as mãos do entorno de sua cintura e á deixou livre para sair de seu encaixe, mas como Adão previu, novamente a dor se converteu em prazer e o sexo foi se tornando agradável com a constância dos movimentos, então Eva entregou-se ao desejo e submeteu-se a vontade do seu homem com a mesma intensidade, Seus gritos de dor e os pedidos para que parasse se tornaram gemidos de prazer e súplicas para que á penetrasse ainda mais. Adão não vacilou e abraçando-a mais carinhosamente pelas costas, entre beijos e mordidas em seu pescoço, foi aumentando a velocidade com que a penetrava, assim, ele á levou ao ponto máximo do prazer e os dois gozaram longamente.
Com a satisfação sexual, Adão pensou que tudo ficaria bem, que Eva voltaria a sorrir como no principio, mas depois que terminaram a relação amorosa ela ainda se mantinha calada com a mesma expressão tensa.
– O que foi? Porque você continua estranha dessa maneira? Tem alguma coisa a mais que esteja te incomodado? Perguntou ele.
Eva então resolveu contar-lhe sobre a dúvida que a afligia.
– Acho que o que fazemos não é do agrado do criador! Disse ela.
– Como assim? Do que você está falando?
– Estou dizendo que acredito que o sexo que praticamos é errado aos olhos do senhor, é isso que estou dizendo. Respondeu Eva, com voz alterada.
– Mas porque você diz isso? De onde tirou essa ideia absurda?
– Eu tive um sonho. Disse ela.
– Que sonho?
– Foi na nossa primeira noite no Éden, foi um sonho terrível com uma criatura estranha, que tenho certeza, não era da parte de Deus. Contou-lhe.
– Mas porque você não me disse nada? Esperou todo esse tempo para me contar, por quê?
– Pensei que fosse uma bobagem, não quis te chatear com essa história e logo em seguida nós fizemos amor pela primeira vez, então eu não quis te deixar preocupado, só que agora estão acontecendo coisas... Eva calou-se, quase ás lágrimas.
– Que coisas? Diga-me, que coisas são essas que esta falando? Perguntou Adão um tanto agitado.
– Os anjos. Eles não falam mais comigo. Você não percebeu que eles nunca mais falaram comigo?
– Oras, de novo com essa história? É claro que os anjos falam com você mulher. Está imaginando coisas.
– Não, eles não falam mais comigo. Além disso, os frutos do pomar, que sempre me foram doces como o mel, já não me parecem mais tão doces, tenho que experimentar vários deles até encontrar um que esteja melhor para engolir, a maior parte estão azedos ou amargos. Disse Eva aos prantos.
– O que você está dizendo? Todos os frutos do Éden são doces. Mas está bem, me conta sobre esse sonho que você teve, talvez eu possa entender melhor o que quer, por que até agora eu sinceramente não consigo ver lógica em nada do que você diz. Pediu Adão sentando-se ao lado da mulher.
Eva contou-lhe com detalhes como tinha sido o tal sonho, ele ouviu com atenção, e enquanto ela falava, seus relatos o fizeram pensar no quanto ele sentia-se transformado quando tomado pelo desejo sexual, algumas de suas atitudes com ela, como submetê-la a sua vontade por força, não eram reações normais da sua personalidade, de certa forma ele parecia estar sob as influencias de instintos que não o afetavam, senão com a finalidade do sexo, mas apesar dessa identificação entre os fatos tê-lo preocupado, Adão não quis fomentar ainda mais a angústia de Eva e procurou tranquilizá-la dizendo que aquilo tinha sido apenas um sonho e nada mais.
– Acalme-se querida, eu também tenho sonhos de vez em quando, e os anjos já me explicaram que isso é uma coisa natural, muitas das vezes eles são apenas reflexos de pensamentos ou emoções que tivemos no decorrer do dia, talvez por ter sido aquele o nosso primeiro dia aqui na Terra, você estivesse sob forte domínio das emoções, talvez até tenha pensado sobre nós, sobre a junção de nossas carnes para dar seguimento a nossa descendência e isso pode tê-la induzido a esse sonho. Não pense mais nele, deixe que eu tome conta de você, não precisa se preocupa, se tivermos qualquer problema, cabe a mim resolvê-lo, sou seu marido, lembra? Acalmou-lhe Adão, com um terno abraço.
Os dias transcorreram normalmente. Numa noite, porém, Eva tomou Adão pelo braço e o levou para onde estavam os anjos a brincar com os pássaros noturnos do pomar.
   – Veja isso. Disse ela, aproximando-se de um dos anjos que se chamava Izael.  – Olá Izael! Cumprimentou. E Izael calado, virou-lhe as costas. Eva então se dirigiu a um segundo anjo cumprimentando-o, e ele também lhe virou as costas. Procurou por um querubim, e mesmo ele, á ignorou.
  – Está vendo Adão? Nenhum deles fala comigo, nem os pássaros, os insetos ou qualquer outra espécie do Éden, ninguém mais me dirige a palavra! Reclamou a mulher.
– Acalme-se querida, vou falar com eles, vamos esclarecer tudo. Espere.
Adão aproximou-se de Izael e o cumprimentou. – Olá Izael.
– Olá Adão, você está precisando de alguma coisa? Posso ajudá-lo? Disse-lhe o anjo.
– Sim. Eu gostaria de saber por que você e todos os outros anjos estão ignorando Eva? Ela acabou de falar com vocês e, simplesmente lhe viraram as costas, por quê?
– Não temos mais permissão para falar com ela! Respondeu-lhe Izael.
– Mas porque não? O que foi que ela fez para merecer isso?
– Também não temos permissão para falar sobre isso, me desculpe! Respondeu o anjo, retirando-se para o céu.
Adão tentou falar com os outros anjos, mas as respostas eram sempre as mesmas e todos foram se recolhendo.
– Que estranho! Você tem razão, algo está acontecendo, mas como vamos fazer agora para descobrir o que é se os anjos não querem nos dizer nada?
– Eu disse que tinha alguma coisa errada. Mas o problema é comigo, porque com você eles continuam falando como sempre. Disse Eva.
– Sim. Mas isso prova que não foi o sexo, ou teriam deixado de falar comigo antes de você. Afirmou Adão.
– Não, isso não prova nada. Nós não sabemos o que vai acontecer, vamos observar o comportamento das outras espécies, quem sabe obteremos alguma resposta se prestarmos atenção daqui pra frente.
– Concordo! Vamos prestar atenção, mas isso não deve ser nada sério, afinal, você não fez nada que eu também não tenha feito, logo, não cometeu erro algum, talvez isso seja normal, talvez as outras espécies vão se comunicar apenas comigo daqui pra frente.
– Pode ser isso sim.
Na manhã seguinte Eva acordou-se com os chamados de Adão.
  – Acorde! Acorde! Insistia ele.
 – O que foi? Respondeu Eva, assustada.
 – Olhe aquilo. Olhe lá! Disse Adão, apontando para a floresta.
– O que é? Perguntou Eva sem entender a pressa com que ele á abosdava.
– Olhe, é um casal de capivaras. Eles estão acasalando, fazendo..., o que nós fazemos. Disse ele.
– Sim. E Daí?  
– Não é o primeiro casal de espécies diferentes de nós que eu vejo fazendo isso. Quer dizer que não é pecado. Entendeu? Explicou-lhe Adão com um semblante alegre.
– Adão, você só se preocupa com isso não é mesmo? Podemos estar em pecado, podemos ter desagradado ao criador, e você só se preocupa em me provar que sexo não é proibido! Repreendeu-lhe a mulher.
– Sim, não era isso que estava te incomodando? Você não achou que por termos feito sexo o senhor poderia estar lhe castigando de alguma forma? Então? Aí está a prova de que não há nada de errado, tudo esta bem querida. Disse ele.
– Vamos deixar isso pra lá então? Pediu Eva. Vou dormir mais um pouco, é muito cedo, os anjos ainda nem vieram nos recepcionar.
– Pode dormir querida, e não se preocupe mais com bobagens! 

Apesar da aparente tranqüilidade, agora era Adão quem estava preocupado com aquela história, o criador não proibiria os anjos de falar com a mulher se não houvesse algo errado, ele disfarçava para não atormentar a esposa, mas não conseguia parar de pensar em seu relato sobre o sonho terrível que ela teve na primeira noite no Éden, ele começava a questionar-se sobre a licitude do ato sexual. Aquele sonho havia levando questões relevantes, pois realmente, nada havia sido dito pelo criador sobre o acasalamento do Homem ou sobre sua descendência, nada havia sido explicado, como ele poderia saber se o sexo era ou não permitido? Aquela dúvida foi plantada em sua mente e de lá não queria mais sair, então Adão decidiu procurar pelos anjos novamente para que eles o instruíssem sobre o assunto, já que eles eram os responsáveis por ensinar-lhe tudo o que precisava saber sobre a vida na Terra.




CAPÍTULO IV


Ao Despertar, Eva olhou a sua volta e não havia ninguém, levantou-se intrigada com aquele silêncio que não era habitual, chamou por Adão e não teve resposta, saiu á sua procura e não podia encontrá-lo em lugar algum, então lembrou que ele costumava se banhar na cachoeira todas as manhãs e foi até lá procurá-lo. De longe ela o avistou sentado nas pedras, ele olhava para o vazio em profunda tristeza: _ O que houve? Perguntou ela, percebendo seu semblante apático.
— Os anjos não vieram! Respondeu-lhe Adão.
— Como assim? Exclamou Eva.
— Eles não vieram! Não apareceram para nos despertar como faziam todas as manhãs. Sumiram! Desapareceram! Nem os bichos falam mais comigo, e você tinha razão, os frutos do Éden já não estão mais tão doces quanto antes. Fizemos algo de errado, o criador está nos castigando, ele está nos castigando, entendeu agora? Respondeu-lhe Adão enfurecido.
— Mas, nos castigando por quê? O que foi que nós fizemos para merecer isso? Disse Eva com pesar.
— Eu não sei! Respondeu-lhe Adão com a voz tremula.
— Vamos chamá-lo! Vamos perguntar a ele! Ele não pode nos castigar sem que nem ao menos saibamos pelo que estamos sendo castigados. Disse-lhe Eva.
— Eu já tentei. O que você acha que eu estava fazendo enquanto você dormia? Eu o invoquei com toda a minha alma e meu coração aflito, mas ele não me responde.
— Acalme-se! Pediu Eva abraçando-o. Vamos encontrar uma maneira de resolver isso. Tenho certeza que ele não nos abandonaria assim, deve ter uma saída e nós vamos encontrá-la. Não podemos ficar sem nenhum tipo de instrução, ainda há muito a aprender antes de podermos sobreviver sozinhos no mundo, o Senhor não nos abandonaria aqui á nossa própria sorte! Afirmou Eva, tentando para tranqüilizá-lo.
_ Mas onde estará essa saída? Sem respostas, como saberemos se fizemos algo errado ou se tudo isso já estava dentro dos planos do senhor? Questionava Adão.
— Há um jeito! Disse Eva.
— Que jeito?
— O fruto do conhecimento do bem e do mal!
— Você enlouqueceu? Olha o que estamos passando por algo que nem sabíamos que era pecado, e você agora propõe que violemos uma ordem expressa do criador, tendo consciência de que nos é proibido? Ficou maluca?
— Não temos outra saída! Como vamos ficar assim Adão, se nem mesmo sabemos onde realmente erramos? Nós temos que descobrir se nosso pecado foi mesmo o desejo da carne ou se fizemos outra coisa da qual não nos demos conta, pois como podemos evitar o pecado se nem ao menos o conhecemos? Quando descobrirmos onde erramos poderemos pedir perdão ao criador, assim quem sabe, nos reconciliaremos com ele e tudo volta a ser como antes no Éden. Argumentou Eva.
— Não, não podemos fazer isso, justamente porque nem mesmo sabemos se estamos em pecado, nem mesmo sabemos o que é pecado, mas sabemos que o fruto do conhecimento do bem e do mal nos é proibido e se o comermos, ai sim, estaremos de fato afrontando ao senhor. Temos que esperar, cedo ou tarde ele me ouvirá e virá em nosso auxílio. Se nós pecamos, pecamos por inocência, por desconhecer o pecado e não por escolha, isso quer dizer que ele ainda pode nos conceder o perdão.
— Está certo. Se você quer esperar tudo bem, mas me preocupa ficar aqui sem o auxílio dos anjos, eu temo por nós dois.
Eles ouviram um barulho entre as árvores e correram para ver o que era um querubim brincava com as borboletas entre as folhagens.
— Querubim! Querubim! Chamou Adão.
— O que é Adão! Posso ajudá-lo em alguma coisa? Respondeu.
— Você não foi embora com os outros e ainda esta falando comigo? Perguntou-lhe Adão contente.
— Ah..., é verdade! Eu tinha esquecido que os anjos me mandaram subir, mas é que as borboletas da Terra são tão bonitas, eu queria brincar mais um pouco com elas.
Do alto das nuvens, um anjo acenava para o querubim, ordenando-o que voasse para o céu.
— Eu tenho que ir agora! Disse o querubim a Adão.
— Não, por favor! Pediu ele. Apenas me diga antes de ir embora se o que fizemos é pecado? O sexo, você sabe se é proibido?
— E o que é pecado Adão? Disse-lhe o querubim, batendo suas pequenas asas e voando para junto do anjo que o apressava lá do céu.
Adão e Eva sentiam-se cada vez mais perdidos e arrependidos, mas a culpa que os consumia parecia não chegar ao conhecimento de Deus e eles continuavam sem resposta. O jardim do Éden ainda era belo e frutífero, mas não tanto quanto antes, os frutos mais maduros e saborosos eram sempre os de difícil acesso e os que estavam ao alcance das mãos eram verdes, azedos ou podres, todas as outras espécies continuavam por ali, porém não mantinham qualquer forma de comunicação com o eles, algumas espécies estavam se tornando mais arredias, outras até fugiam quando eles se aproximavam. As flores que antes tinham vitalidade permanente, agora murchavam com o tempo e se arrancadas, morriam quase que imediatamente. Viver no Éden já não era mais tão simples e fácil, a temperatura, antes, sempre agradável, agora sofria algumas oscilações, nada muito extravagante, mas era perceptível um desconforto pelo calor ou pelo frio, aquelas mudanças, embora fossem pequenas, causavam enorme sofrimento para Adão e Eva que não sabiam como continuar sobrevivendo em um ambiente mais hostil, eles eram como crianças perdidas em uma terra que se tornava cada vez mais selvagem.
Adão passava seus dias suplicando ao criador, ajoelhava-se todas as manhãs, pedindo perdão, queria encontrar uma forma de reparar seu erro e redimir-se com Deus, mas para isso precisava saber qual havia sido de fato o seu grande pecado. Certo dia, Eva voltou a falar-lhe sobre o fruto do conhecimento do bem e do mal, pois eles já haviam esgotado suas esperanças e então decidiram que precisavam provar do fruto proibido.
Adão e Eva dirigiram-se para o meio do Jardim do Éden onde se encontrava a árvore, Eva aproximou-se dela colhendo um fruto e mesmo com o coração amedrontado o comeu, partilhando-o com seu marido.
— Que estranho! Disse Adão. Nada aconteceu!
— E agora, o que faremos?
— Se o fruto não funciona nunca saberemos o que aconteceu, tão pouco, saberemos daqui pra frente. o que podemos ou não podemos fazer, nem porque o senhor Deus nos abandonou e retirou os anjos da Terra.
De repente eles ouviram palmas.
— Parabéns! Pensei que nunca teriam a curiosidade de comer desse fruto, agora vejo que subestimei o Homem, demorou, mais vocês finalmente vieram até a mim. Disse o Diabo com ares de deboche.
— Quem é você? Perguntou Adão.
— Eu? Eu sou o mal. Respondeu ele.
— O mal? Nunca quisemos chegar até você, comemos esse fruto apenas para descobrir se fizemos algo que desagradou ao nosso senhor. Afirmou Adão.
— Mas é claro que quiseram! Pois não é este o fruto do conhecimento do bem e do mal? E não é verdade que o bem vocês já conheciam pelo vosso senhor?
Adão assentiu como se lhe sobreviesse o óbvio.
— Então? Continuou o Diabo, com certa ironia. — Se ao bem já conheciam, comeram do fruto para conhecer o mal e aqui estou eu, o mal em pessoa, aparentemente! Mas, acalmem-se meus queridos humanos, o Diabo não é tão ruim quanto parece, na verdade ele é tão ruim quanto vocês queiram que ele seja.
— Como assim? Questionou Adão sem entender o que ele dizia.
— Tudo bem, já vi que vocês são um tanto lentos de raciocínio, então vamos por partes, eu tenho toda a eternidade. Disse o Diabo.— Até agora o Homem era puro, a Terra era pura e todos os seus descendentes e habitantes deveriam ser igualmente puros. Eu não deveria existir para a humanidade, não se pode praticar o mal ou cometer qualquer forma de pecado sem conhecê-lo, mas vocês meus queridos, acabam de abrir as portas do mundo para mim, quer dizer, eu comecei a existir para o Homem a partir desse momento e estou muito agradecido. Explicou ele.
— O que você quer dizer com isso? Quer dizer que agora vai poder nos induzir a pecar contra Deus e fazer o mal uns contra os outros, é isso? Indagou Adão.
O Diabo gargalhou. Eva assustada mantinha-se em silêncio.
— Oras, é claro que não. Tudo o que eu quero dizer é que o Homem a partir de agora conhecerá o mal e poderá fazer uso de seu livre arbítrio para praticá-lo ou não, você pode fazer escolhas agora Adão, igualou-se ao seu criador e deixou de ser sua marionete como ele desejava que fosse eternamente. As abelhas comem mel porque só produzem o mel, se pudessem produzir outros alimentos poderiam escolher entre eles ou o mel, assim também será o Homem, comendo deste fruto vocês me fabricaram, por assim dizer, logo, poderão daqui pra frente escolher entre praticar as coisas do seu criador ou praticar as minhas coisas, e eu lhes garanto que as minhas coisas são bem mais interessantes que as coisas dele. Concluiu.
— Mas nós não queremos nada disso! Não queremos você aqui. Tudo o que eu quero é saber se havia cometido algum pecado, antes de ter comido este fruto maldito. Responda-me então se é tão sábio quanto quer parecer. O que fizemos nós de errado, antes de comer deste fruto? Foi o sexo? Indagou Adão.
— Bem, eu queria existir nesse mundo, tinha que encontrar uma forma de entrar nele, admito que o outro foi mesmo genial ao criar este planeta e essa espécie tão peculiar e tão parecida com ele. Realmente foi um golpe de mestre. Então o caminho mais curto para chegar até aqui era a ingenuidade de Eva, criatura tão perfeita e divina que sua pureza exagerada me pareceu à oportunidade ideal para o meu intento. Bastou mostrar-lhe algo excessivo para plantar uma pequenina semente de dúvida, e então foi fácil chegar até aqui! Disse o Diabo.
— E você nos induziu aos desejos da carne. Concluiu Adão.
— Eu? Imagina! Discordou o Diabo. Não tenho esse poder sobre o Homem, pelo menos não ainda, não sou a causa, sou o efeito. Além do mais, se eu pudesse induzi-los a fazer alguma coisa, tenham certeza que não seria algo ligado ao prazer humano. O fato é que o seu criador ousou, ousou tanto que assumiu alguns riscos quando deu ao Homem uma coisa chamada racionalidade. Eva ficou impressionada com uma quantidade de prazer tão grande capaz de levar seu marido a perder a noção dos acontecimentos, á, e a figura de um animal peçonhento também ajudou a deixá-la intrigada, assim, pela primeira vez a raça humana começou a questionar as coisas divinas.
— Quer dizer então que o prazer carnal não é pecado? Não havíamos feito nada de errado? Perguntou-lhe Eva.
— Não, eu não disse isso! Respondeu-lhe a serpente.
— Você só está nos confundindo, criatura maligna! Disse Adão.
— É, acho que o altíssimo não foi muito feliz na questão da racionalidade humana, vocês são mais lentos do que eu pensava, mas tentarei esclarecê-los de alguma maneira. Ironizou o Diabo. — A questão não é se o prazer carnal é pecado ou deixa de ser, a questão é que vocês questionaram algo que foi criado pelo seu senhor. Acaso o desejo da carne não lhes veio impresso como um instinto natural? Ou precisaram que os anjos os ensinassem a fazer sexo? Precisaram vocês que os anjos lhes contassem sobre a existência desse meio magnífico de prazer? Não. E vejam que desde o princípio eu joguei limpo, pois se não fui eu mesmo a por tais palavras na boca da serpente? — Quando o Homem sente sede, sacia-se da água que Deus criou, quando sente fome, alimenta-se dos frutos com que ele lhes presenteou, não lhe perece óbvio que quando tomados pelo desejo da carne, satisfaçam-se um no outro? Ou o homem de sua mulher? Lembra-se disso Eva? Questiono-a o Diabo.
— Sim! Respondeu ela, sentindo-se culpada.
— Então? Compreendem agora que eu não sou a causa, sou apenas o produto de suas próprias decisões? Vocês olharam para o sexo como sendo algo pecaminoso e ele se tornou pecaminoso, não o sexo em si, mas, o julgamento que fizeram acerca dele. O seu criador almejava poder controlá-los para toda a eternidade, por essa razão queria mantê-los na ignorância do mal, ou seja, queria que o Homem não pudesse julgar uma coisa como sendo boa ou ruim, assim fariam sempre apenas o que ele os colocou para fazer sem questionamentos, mas sua racionalidade os levou a julgar uma criação de seu Deus e ai começou o pecado. Concluiu o Diabo.
— É mentira! Afirmou Adão. Você esta tentado nos confundir. Não existe esse emaranhado de entrelinhas nas coisas de Deus, tudo nos é muito claro. Cometemos o pecado de comer deste fruto proibido porque já havíamos pecado quando praticamos o sexo, por isso os anjos nos abandonaram e você agora está se utilizando de palavras complicadas para nos convencer de que não é tão ruim quanto parece, mas nós não vamos ser enredados mais uma vez. Vá embora Demônio, não queremos mais ouvir uma palavra do que você diz, pois tudo que sai da sua boca são blasfêmias contra nosso pai. Disse-lhe Adão com voz alterada.
— Minha presença visível pode retirar-se, mas eu estarei entre vocês de hoje em diante, já que em tudo terão de ponderar se é do agrado do seu Deus ou se não é, e não haverá ninguém para lhes dar qualquer resposta, terão que decidir sozinhos e eu me fortalecerei a cada erro, a cada fraqueza, a cada deslize, eu estarei ai, crescendo junto com a humanidade, vocês me identificarão em tudo quanto forem realizar e até se deleitarão com as minhas coisas, muitos preferirão a mim ao invés de seu Deus. Provocou-lhe o Diabo.
— Nunca! Gritou Adão. O Homem nunca se curvará a você criatura do inferno.
— Não mesmo? — Questionou o Diabo. — Então esse fruto proibido saltou da árvore e se enfiou em suas bocas pela força, e sim, vocês o engoliram, mas numa próxima vez, sabendo que é errado, vocês o impedirão de entrar-lhes goela á baixo? Creio que não! Disse ele sorrindo. O fruto estava ali, inerte e inofensivo, vocês sabiam que ele era proibido, mas, raciocinando, decidiram que não seria ruim come-lo com uma finalidade nobre, que seria saber em que tinham pecado contra seu valoroso Deus. Vocês o comeram por escolha, assim sou eu, não a causa do mal, mas o efeito do mal que o Homem produzirá através de sua própria vontade.
 O Diabo então se calou por um instante e depois disse: — É hora de me retirar. Ouça Adão..., Deus está lhe chamando!


FIM.