terça-feira, 20 de dezembro de 2016

AMOSTRAS DE POESIA



DESILUSÃO

È um súbito encanto, 
que desfalece ao morrer
das tardes repetidas,

é um pequeno frasco
contendo vida,
que se evapora
no exalar do tempo.

É o experimentar
do sabor oposto
que não tem gosto
depois da descoberta,

é um sonho lindo
que se realiza,
mas que se está dormindo
e logo desperta.

É o nascer
para a eternidade das horas,
mas no morrer do instante
afastar-se do infinito,

É o calar das palavras
que tentam expressar num discurso
o que só cabe num grito.


LEMBRANÇA
É um velho vento
que enrosca
na encosta
da cabeceira,       

Sondando a brecha,
qual flecha
na fresta
do pensamento,

Rompendo o tempo,
a contento
no intento
do contentamento,

por ver o visto passado,
vivido,
ser revirado,
agora se remoendo.

E quando o tempo
faz curva
nas assas 
desse momento,

desfaz-se o nó,
se desata,
a ingrata
da tal saudade,

cumprindo a sina
que cisma
em juntar 
nesse sentimento,

a ilusão
de encontrar
a chamada
realidade.

É só um instante,
um rompante,
uma firula
da liberdade,

mas não há mente
que não invente
na fantasia
a felicidade.

Adriana Campos Marinho

LEIA MAIS NA PÁG.