terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O DIÁRIO SOMBRIO DE UMA VIDA NORMAL




O DIÁRIO SOMBRIO DE UMA VIDA NORMAL


24 DE Dezembro de 2016


Os sorrisos pedantes se moldavam ao formato de cada face, todas as agruras estavam guardadas no bolso de suas camisas meio amarrotadas, agruras e camisas, postas e tiradas, como se fosse tudo objeto, sorrisos, agruras, camisas, expostas ou escondidas de forma totalmente racional. Eu Cheguei a pensar se éramos mesmo pessoas, ou só um monte de máquinas programadas para dizer “Feliz isso” ou” Feliz aquilo”, onde estavam nossas diferenças e indiferenças, nossos pecados, nossas transgressões?
Fátima, minha vizinha, descobrira a poucos dias que seu marido tem uma amante, ela bateu na cabeça dele com uma pá e ele deu-lhe um soco tão violento que ainda dá para ver um resquício do hematoma na cara dela. Lúcia, minha cunhada, foi quem fez a fofoca toda, Geane levou uma surra da irmã de Lúcia por ter roubado cem reais da carteira dela semana passada, e olhem agora, todos aqui se abraçando sob a chuva e fogos em plena meia noite de Natal. Será que não sou razoável o bastante para entender o real significado do perdão? Perdão. Que palavra linda! Pena que ele ficará conosco só até as 24hs da noite seguinte a deste momento sublime.