domingo, 28 de maio de 2017

Profundamente Superficial






Qualquer coisa que eu fale sobre do amor, será superficial. Hoje eu olho para o espelho e vejo o vazio que existe em mim. E justo eu que amei tanto o amor, eu que o idealizei todos os dias da minha mocidade, como algo que me pudesse transcender daquele mundo de insígnias inócuas ás frias almas. Eu que me achava pungente a toda superficialidade humana. a toda corrente ideológica das racionalidades animais, animais que eram eles enfim, não eu, nunca eu, jamais eu, porque eu tinha comigo todos os sonhos do mundo, e toda a amorosidades a distribuir para os meus seres amados. Hoje eu já não amo, não se não me for algo imposto pela natureza, como um instinto maternal, fora isso, todo o resto de mim é alheio, o meu sangue já não ferve, minhas pupilas não se dilatam, os meus pelos não se eriçam, e o meu desejo já não faz mais que também servir a fisiologia natural.Hoje, qualquer resquício de emoção me esculpe uma mentira bem contada, n'alguma farsa malfadada que encontra em mim, um Sherlock Holmes das doçuras sentimentaloides. Eu até gosto de brincar de romance, mas, isso já não tem pra mim o mesmo gosto de antes, é tão triste saber que nenhum sentimento desliga-se provisoriamente de alguma matemática, seja ela a constante do tempo, do momento, ou das coisas tórridas e, francamente? Materiais. Quem nunca contou quanto vale a renda familiar em se juntando os casais? Quem nunca somou quanto poderia perder em uma separação, para viver seu lindo romance com a amante? Quem nunca procurou o conforto e a estabilidade monetária em suas relações? Ou outros ganhos que não se refiram ao dinheiro, mais sim a outros créditos? Quem nunca escolheu aquela que perdoa com facilidade? Aquela a quem lhe trair, tenha menos probabilidade? Aquele que se submete sem rugir? só por vontade? Quem afinal, nunca fez contas de algum propósito, que nada tivesse haver com a nobreza do amor que se vislumbra? É tão triste olhar nesses olhos densos com que a realidade nos fita, e ver que além destes mesmos, ninguém mais acredita que o amor lhe venha, em detrimento das quantitativas. A beleza, háaa... a beleza é moeda valiosa nesse escambo. Quem nunca á mediu em comparação á outra, para pesar aquela que mais lhe serviria? E onde fica o amor a essa altura? Perdido, como eu fiquei na loucura! Quando a gente se depara com a aspereza da vida e tem a coragem de olhar para ela, assim, de máscara caída, infelizmente se percebe que ela não é tão poética sem a sua maquiagem impecável.